Innuendo (1991) : A despedida de Freddie Mercury
04/02/2016
David MacLeod (41 artigos)
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Innuendo (1991) : A despedida de Freddie Mercury

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Crítica Innuendo (1991)

Gravado entre março de 1989 e novembro de 1990, o décimo quarto álbum do Queen veio a ser o último gravado por  Freddie Mercury, que na época sofria com a deterioração de sua saúde. Mesmo assim, Freddie teve forças para gravar algumas de suas performances vocais mais poderosas e emotivas, o que torna esse um álbum memorável, que completa 25 anos nele 04 de fevereiro. Ok, deixa eu pegar o CD, estalar os dedos e mandar bala!

O álbum abre com a faixa-título, um petardo de 6 minutos e 29 segundos que começa com uma introdução dramática e vocais que evoluem num crescendo até alcançar um clímax tenso, com um fraseado de guitarra perfeito e uma seção rítmica esmagadora, e no meio disso tudo há um trecho meio flamenco tocado pelo Steve Howe, do Yes. Pensaram em “Bohemian Rhapsody”? Não estão tão errados, pois ambas quase foram barradas pela gravadora, que achava que faixas longas assim não tocaram nas rádios – ledo engano, já que “Innuendo” chegou ao primeiro lugar das paradas.

“I’m going slightly mad” foi ideia de Mercury, o que não é de se surpreender, já que a maioria das ideias excêntricas eram dele. É uma faixa meio estranha, onde Mercury alinha algumas metáforas astuciosas sobre enlouquecer – e somente Mercury poderia cantar um verso como “eu acho que sou uma bananeira” sem cair no ridículo…

“Headlong” é um rock mais básico, ainda que a voz de Freddie não tenha a potência de outrora. Mesmo assim, há uma energia, como se, mesmo diante de sua mortalidade, Freddie não perdesse sua vitalidade e vontade de viver.

“I can’t live with you” é outro rock básico, sobre incompatibilidade de egos. É importante notar que, ao invés de comporem músicas tristes, o que seria esperado, eles trataram esse álbum como um álbum normal, diversificando temas e estilos.

“Don’t try so hard” é, na minha modesta opinião, uma das mais poderosas canções do Queen, onde nitidamente se percebe a degradação vocal de Mercury. Um começo meio melancólico logo dá lugar para um crescendo vocal, talvez a última vez em que Mercury tenha exercitado sua voz antes do fim.

“Ride the wild wind” é uma das minhas favoritas, com seus efeitos sonoros de velocidade e aquele clima de “largar tudo”. Também é uma das poucas que se aproveita da voz de Mercury de uma forma mais contida.

“All God’s people” surgiu durante as gravações do álbum solo de Freddie com a Montserrat Caballé, idos de 1987, e nada me tira da cabeça que foi uma música influenciada pelo Mike Moran, que ajudou Freddie na gravação desse álbum. Basicamente, é um gospel misturado com uma dose de rock.

“These are the days of our lives” é minha segunda música favorita da banda, uma balada contemplativa, doce, sentimental e que acaba servindo como tributo a um homem que transformou toda a sua vida numa performance. É olhar para trás e aceitar que o que passou, passou, com seus altos e baixos.

“Delilah” é uma canção de amor dedicada à gata de mesmo nome (Freddie adorava gatos), e embora não seja uma das minhas favoritas, ainda contém um certo charme. E quando se leva em conta o fato de que Freddie sabia que não viveria por muito mais tempo, é até compreensível que acabe escrevendo sobre o que lhe cerca, quando seu olhar passa do macro universo para o microuniverso que se tornou sua casa naqueles tempos.

“The hitman” é outro hard rock básico e agitado, acho que entrou meio que para tampar buraco. Ponto para o instrumental pesado para os padrões da banda.

“Bijou” é uma música climática curta e de poucos versos, mais como um exercício de dedilhado na guitarra, cortesia do Sr. Brian May.

Para fechar o álbum, a despedida: “The show must go on”.

Sentei-me com o Freddie, decidimos qual deveria ser o tema e compusemos a primeira estrofe”, revelou May à revista Guitar World. ” É uma longa história, a da composição dessa canção, mas eu sempre achei que ela fosse importante, porque lidávamos com coisas sobre as quais achávamos difícil falar a respeito, àquela época.“.

Não há muito o que dizer.

“Por dentro meu coração está partindo / minha maquiagem pode estar escorrendo mas meu sorriso / ainda permanece.”

E ainda permanece, 25 anos depois.

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David MacLeod

David MacLeod

Apenas mais um tijolo na parede. Hater da Marvel e Amante da DC, mas as vezes se atreve ler algo da Casa das Ideais, pois o Stan Lee é o rei.

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