Perdido em Marte – Uma criativa (e didática) visão da sobrevivência
26/10/2015
Lucas Biage (34 artigos)
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Perdido em Marte – Uma criativa (e didática) visão da sobrevivência

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OBS.: Antes de tudo, um aviso para as pessoas que lerem o artigo (ou o livro). Haverão muitos detalhes técnicos a serem explicados, por isso sugiro que pesquisem sobre os termos explicados aqui.

‘The Martian’, traduzido aqui como Perdido em Marte, é um livro de Andy Weir¹, cuja história se passa em um futuro próximo, uma missão de exploração em Marte dá errado e uma equipe tem que voltar à Terra, sem um de seus companheiros. Este é Mark Watney, engenheiro e botânico, que descobre que está sozinho, em um planeta com órbita diferente da Terra, gravidade menor, e a quase 900 quilômetros da forma de comunicação mais próxima. Hora de por suas habilidades a prova.

Andy Weir, autor do livro

Como um livro que conta o cotidiano de um homem sozinho em um ambiente inóspito pode ser intenso? A resposta é bem básica. O autor narra a história através de registros em vídeo que Watney faz: ‘Logs‘, e cada log representa um dia marciano. E nosso protagonista aprende a gerar oxigênio via eletrólise (separação de átomos através de eletricidade de corrente contínua) e combustão, utilizando suas próprias necessidades (sim, cocô) para adubar uma fazenda experimental, e também transforma uma sonda (um jipe controlado remotamente para exploração e aquisição de dados) em um meio de transmissão em linguagem hexadecimal (sistema de numeração de 0 a 15, onde os números 10 a 15 são substituídos pelas letras A até E), para converter em linguagem ASCII (uma codificação de caracteres de texto de computadores) e reprogramar o sistema de comunicações do veículo de exploração marciano.

Essas e outras histórias são narradas com a maior atenção a detalhes, esses que fazem o leitor pensar se está lendo um livro científico (mesmo sem possuir fórmulas) e explica, com números, vários e vários detalhes de experiências e testes executados.

Devido à sua aproximação técnica, esse livro não é para os mais ortodoxos. Mas o autor consegue fazer uma história com personagens marcantes, dividindo a narrativa entre os personagens que fazem parte da NASA no planeta Terra, os astronautas ocupantes da espaçonave Hermes, propulsionada por um lento (mas eficiente) motor de propulsão iônica (motor que aquece o elemento argônio à temperaturas altíssimas até o mesmo se tornar o quarto elemento da matéria, plasma, para gerar uma pequena, eficiente e contínua fonte de aceleração), e o próprio Watney, cujo carisma reflete a ironia de uma pessoa comum dentro de uma situação difícil.

Existem poucas liberdades artísticas feitas no livro (para desfocar os leitores dos excessos técnicos), duas delas que podem ser descritas são o lançamento do foguete com suprimentos para Watney, cuja carga, pastosa, gera stress (termo técnico para pressão acumulada) nos elementos de fixação (parafusos, porcas, etc) da cápsula de armazenamento, ao ponto de alterar a trajetória e destruir o foguete inteiro.

 

Também o momento da saída de Watney do planeta marciano, utilizando uma cápsula de escape, cujos testes foram planejados pela NASA, porém, a cápsula passa por um erro de trajetória. Sua parte frontal ter sido eliminada e preenchida com a tela de proteção flexível utilizada na base dos astronautas (que havia sido antes teorizada e testada pela empresa sem o mesmo inconveniente).

Para quem deseja ver o filme, nós do Humanoides também fizemos a análise, cortesia do nosso redator Diego Ramon, segue o artigo: Perdido em Marte (2015) – Não tão sozinho, mas de excelente performance.

Por fim, deixo aos desbravadores desta aventura científica a seguinte canção (cortesia da capitã Lewis, líder dos astronautas da espaçonave Hermes e amante de disco).

Nota de rodapé:

¹ O Autor do livro é formado em Ciência da Computação, e estudou todos os aspectos demonstrados no livro. Sua aproximação similar à de livros didáticos e isso reflete ao decorrer da obra.

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comentários

Nota
4.5 de 5
No Geral

A parte disso, Andy Weir convence pela sua narrativa, aproximação didática do livro e seu apelo aos personagens, sem deixar de ser perfeccionista em relação à trajetória de Watney, o caminho espacial da Hermes, e os atrasos de comunicações resultantes da posição relativa (Terra, Hermes e Marte).

4.5

Bom
4.5 de 5
Lucas Biage

Lucas Biage

Compositor e Escritor amador, gosto um pouco de animes, música e short-stories da internet.

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