Cosplay e UOL Notícias: Polêmica e Generalizações
23/08/2015
Alexandre R. Damião (56 artigos)
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Cosplay e UOL Notícias: Polêmica e Generalizações

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Nos últimos dias, o UOL Notícias fez uma reportagem sobre os cosplayers presentes no evento Anime Friends deste ano, até aí tudo bom e tudo muito bem, o grande problema foi o jeito como este conteúdo foi concebido e editado. Antes de mais nada, vamos entender o conceito da palavra,  Cosplay é uma abreviação da palavra em inglês chamada Costume Play que pode ser traduzida como “roupa de brincar”, “representação de personagem a caráter”, “disfarce” ou “fantasia”. Se refere á atividade / brincadeira de se vestir igual e interpretar o personagem que gosta, sendo ele de quadrinhos, animes, filmes, games ou até mesmo inventado apenas para uma determinada ocasião.

A generalização nessa reportagem foi tão grande que me fez pensar duas vezes no tipo de conteúdo que está sendo colocado, porque parece que as pessoas estão ficando com preguiça de ter o bom senso de saber julgar e separar certas coisas e situações. A minha opinião como gerador de conteúdo e também de cosplayer continua sendo a mesma, me senti ofendido pelo tipo de conteúdo apresentado, porque o vídeo deu a entender que TODAS as pessoas que praticam este hobby sofrem com distúrbios de personalidade e não sabem diferenciar o real do imaginário, não obstante também a famosa Síndrome de Peter Pan, que consiste em afirmar em que a pessoa nunca crescerá. Imagina todos os outros cosplayers que cederam a sua imagem para entrevista, porque maioria pensou que fosse uma matéria em prol deles, divulgando o evento e os diferentes grupos que a sociedade tem e continua a criar, e venhamos e convenhamos, não teria a menor graça se todos fossemos iguais.
Cosplayers não são nenhum pouco diferentes de mim e de você, eles também são pessoas, também tem família, também trabalham, também estudam, também passam por problemas que todas as outras pessoas passam e principalmente, eles também tem uma vida própria. Após assistir esse vídeo, existem algumas coisas que DEVEM ser esclarecidas de modo que todos entendam.

1 – Não são todos que sofrem de distúrbios ou transtorno de personalidade

O que as psicólogas tentaram dizer de uma forma errada e generalizada foi que, uma pessoa que já possui um quadro de falta de personalidade ou algo parecido poderia procurar no cosplay uma forma de encontrar aquilo que falta nela, fazendo com que assim ela estivesse mais feliz consigo sendo o personagem do que ela própria,  Em todos os meus anos fazendo cosplay, indo em eventos e conhecendo pessoas diferentes, posso dizer com clareza que são poucos os casos de pessoas que passaram ou passam por isso. As pessoas fazem cosplay porque elas gostam de um tal personagem, gostam tanto ao ponto que se vestiriam e agiriam como o tal, mas não pelo resto da vida, e sim em datas de eventos ou festas, o cosplay não é coisa de gente louca, cosplay é uma homenagem do fã para o personagem. Até porque se fosse realmente como aparentado no vídeo, todos os atores de teatro ou de cinema também sofreriam de transtorno de personalidade.

2 – Cosplay favorece SIM a integração e socialização de pessoas

Não é preciso nem dizer que isso está errado em muitos níveis diferentes. Fazer parte de um grupo que tem os mesmos interesses e os mesmos gostos que você facilita demais na hora de fazer amigos, até mesmo para as pessoas mais tímidas, fica bem mais fácil de puxar assunto com a outra pessoa.

3 – Cosplay ajuda a pessoa a ser alguém melhor e mais confiante

Parece que estou viajando e dizendo um monte de coisas em prol dos cosplayers, mas não é. Conheço muitas pessoas eram tímidas que passaram a ser extrovertidas, assim como pessoas que tinham medo de falar em público e que hoje agem naturalmente devido aos concursos cosplays, que são competições / campeonatos onde os cosplayers competem em duas categorias : Desfile ou Apresentação. Em ambas categorias os participantes devem subir ao palco e ficarem expostos para o público ali presente, enquanto no desfile como o próprio nome diz, o participante apenas anda mostrando a roupa e o trabalho com a roupa, na Apresentação, o participante deve interpretar o personagem. Sim, é isso mesmo que você ouviu, IN-TER-PRE-TAR, achou que era só no teatro que os atores interpretavam fielmente seus personagens? No eventos existem também apresentações profissionais que são chamadas de Teatro Cosplay.

4 – Cosplay também é fonte de renda

É isso que você leu, FON-TE DE REN-DA. Existem muitos cosplayers por aí que levam tão seriamente este hobby que eles conseguem fazer dinheiro com isso, e isso não faz deles nenhum pouco malucos ou folgados, isso faz deles extremamente brilhantes. Quer um exemplo? As Gemeas Thomé são cosplayers que já estão há muito tempo fazendo desenvolvendo este hobby e passando para o próximo nível, além de serem conhecidas pelo o que elas fazem (E que fazem muito bem), ambas são dançarinas, e pasmem, Pole Dancers profissionais. Sem contar as inúmeras apresentações de teatro que elas fazem na cidade de São Caetano do Sul, como também festas e eventos por aí. A própria Débora Fuzeti que apareceu no vídeo acima é uma modelo conhecidíssima (As curtidas da página dela falam por si). Sinceramente, não existe nada melhor do que trabalhar com aquilo que você gosta.

5 – Cosplay também é querer ajudar o próximo

Muitos cosplayers se juntam para levar alegria para crianças de orfanatos, que possuem algum tipo de doença seja ela terminal ou não. É gostoso ver aquele brilho no olhar que a criança tem quando vê o seu herói favorito na sua frente, que na verdade apenas calhou de alguma pessoa fazer esse herói e você ver que só o fato da pessoa estar vestindo aquela roupa, ela consegue trazer felicidade, consegue trazer sorrisos, consegue trazer energias positivas para alguém que precisa muito mais disso. Cosplay, é uma diversão, uma brincadeira, uma atuação, uma forma de ganhar a vida, uma forma de trazer felicidade a quem precisa, e mais importante que tudo isso, cosplay também é um estilo de vida.

Então, ao invés de fecharmos os nossos olhos para as coisas diferentes que nos cercam, que aparecem constantemente em nossas vidas e atacar tudo o que é diferente de nossos padrões, costumes, religiões, por que não abrir os olhos para elas e tentarmos entendê-las? Parece que não, mas é bem mais simples que apontar e julgar e transmitir um discurso indireto de ódio.

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Alexandre R. Damião

Alexandre R. Damião

Estudante de Jornalismo e amante da fotografia, gosta muito da cultura, comida e animação japonesa. Lê alguns livros quando tem tempo, mas prefere mangás. Gosta muito de dançar, principalmente se forem jogos de dança.

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