A vida só é fácil se você jogar no easy
05/10/2015
0 comentários
Compartilhar

A vida só é fácil se você jogar no easy

FacebookTwitterGoogle GmailShare

Crise, visionários, empreendedorismo, food truck, plano B, intercâmbio, processos seletivos sem fim, funkeiros fazendo letras conforme a demanda de ouvintes, ganhando milhões e você aí acordando todo dia alimentado pelo combustível do transporte público que te faz ir trabalhar.

Eu entendo que quando a gente ouve uma história de sucesso de alguém que teve um visão além e resolveu criar algo que se transformou em milhões, bate um sentimento de otimismo e as ideias fluem como água da torneira, mas na hora de fazer o relatório da semana, o tcc, o artigo da pós, a torneira seca.

Mas por que?

Quando olho para o que se tornou a geração Y, Z, que não tem paciência para uma aula de 2h com o mesmo professor as 19h da noite, que não pegam no dicionário em anos porque o Google está no bolso, ou que preferem comer miojo do que lavar salada, a palavra que me vem a cabeça é uma só: Imediatismo.

Ninguém te conta que para o cara chegar no primeiro milhão ele teve que abrir mão de muitas horas de lazer, sono e trabalhar muito, mas muito mesmo para chegar lá. Tá, alguns contam, mas a gente ignora, só ouvimos a parte boa e só conseguimos imaginar nossos sonhos quando eles já estão prontinhos lá, com lacinho e tudo, só abrir e aproveitar, num futuro que não chega nunca, porque para esse futuro chegar você teria que ter acordado mais cedo hoje e colocado as mãos na massa, mas preferiu dormir mais um pouco.

Achamos que o futuro vai se resolver sozinho quando ele chegar lá. Mas pera, vai demorar, e não sei se percebemos, mas ele não vai chegar lá sozinho, e não vai ser da noite para o dia que ele vai se materializar. Não há ano novo que faça o ano mudar de número e se tornar novo se carregamos a mesma persona de 2014 para 2015, que será a mesma de 2016.

Ai fulaninho cita Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo“.

Mas não pega um livro técnico da sua respectiva área para se especializar, não muda hábitos velhos, não se recicla, não reflete sobre seu dia a dia e vivem sempre do mesmo jeito, sem estabelecer metas. Sim, clichê, metas, mas não tem como não falar de metas, já que se você não criar uma estratégia com passos individuais até o seu objetivo não vá achando que quando der a louca você vai dar um pulão e chegar no último degrau da escada. Não vai.

Essa onda de “deboismo”, na qual todo mundo resolve ficar de boa, deixando a vida me levar não é muito diferente do seu extremo oposto “viva o dia como se fosse o último“. Nenhuma das duas filosofias vai fazer você chegar perto dos seus sonhos. Só você pode começar um projeto e de fato terminá-lo. Só você tem o poder de escolha entre comprar um PS4 ou tirar a carteira de motorista.

Porque vocês acham que a geração dos nossos pais e/ou avós foi a geração que mais ganhava promoções, aquelas histórias que a gente ouve que o cara começou de ajudante geral e virou presidente, e quando olhamos para a nossa realidade atual vemos a dificuldade que é de ser promovido, mesmo em cargos operacionais? Porque eles trabalhavam muito. Sem happy hour, sem barzinho as 18h. Não.

Claro que você é livre para viver o seu sonho comunista de largar toda essa sociedade capitalista, não fazer faculdade porque simplesmente não quer ser obrigada a estudar algo só porque dá dinheiro, não ser oprimida pela obrigação do trabalho, sim você é livre. E ainda sim você insiste em reclamar da crise, da falta de emprego, oportunidade, da segunda-feira, do governo e da falta de dinheiro.

Já sabemos que a situação está ruim. E sim, você tem vários problemas. A questão é, o que você vai fazer a respeito?

Por favor, seja coerente. As melhores pontuações só vem para quem fecha o jogo no hard mode. Saia do Facebook e vá fazer o que ninguém pode fazer por você: dar o primeiro passo hoje, o segundo amanha e o terceiro depois de amanhã em direção ao seus sonhos, porque, sinto muito, não tem delivery.

FacebookTwitterGoogle GmailShare

comentários

Mah

Mah

Professora de inglês, redatora nas horas vagas, cinéfila, bookworm, jukebox ambulante, gamer, chef de cozinha amadora, geek e caçadora de arte underground/independente. DON'T PANIC!

Comentários

Sem Comentários Ainda Você pode ser o primeiro a comentar neste post!

Escrever comentário

Seus dados estarão seguros! Seu endereço de email não será publicado. Seus outros dados também não serão compartilhados com terceiros. Os campos obrigatórios estão marcados como *