The Devil’s Candy (2015) – Horror Repleto de Som e Fúria
18/03/2017
Eduardo Kacic (58 artigos)
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The Devil’s Candy (2015) – Horror Repleto de Som e Fúria

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Crítica: The Devil’s Candy (2015)

Exibido no TIFF, o Festival de Toronto no final de 2015, ao lado de pérolas do gênero como o pesado Baskin (veja a crítica aqui no Humanoides) e da antologia Southbound da Magnet Releasing, este The Devil’s Candy (EUA, 2015) demorou quase dois anos para finalmente ser lançado no mercado norte-americano, chegando apenas nesta terceira semana de Março/2017 nos cinemas do país. Não que este atraso signifique algum problema com a qualidade da produção. Pelo contrário: The Devil’s Candy é até superior aos dois filmes citados. Uma interessante alegoria do horror, banhada por muito Heavy Metal.

O filme conta a história de Jesse (Ethan Embry, do suspense Temos Vagas, 2008), um batalhador pintor que luta para conseguir comercializar suas obras com alguma galeria de arte. Apesar de seu estilo heavy metal, Jesse é um pai de família responsável, e ao lado da esposa, Astrid (Shiri Appleby, de Garotas Sem Rumo, 2005) e de sua filha, a encantadora Zooey (Kiara Glasco, de Mapas Para as Estrelas, 2014), muda-se para uma sonhada casa de campo no Texas, onde assim Jesse pode se concentrar melhor em suas pinturas. Mas o que começa como um verdadeiro sonho para a família, logo começa a tomar um rumo macabro e perigoso, quando suas vidas passam a se interconectar com a presença misteriosa de Raymond (o ótimo Pruitt Taylor-Vince, do bom thriller Identidade, 2002), um homem com aparentes problemas mentais.

Foram seis longos anos desde o lançamento do surpreendente suspense Entes Queridos (The Loved Ones, 2009), filme de estreia do diretor e roteirista Sean Byrne, que aqui, mostra ter voltado sem desaprender nada do que já havia demonstrado em seu début. Usando e abusando de um estilo visual ousado e de uma trilha-sonora recheada de rock pesadíssimo, Byrne não descuida também da boa e tensa trama do filme, que não deixa o ritmo cair em nenhum momento da narrativa.

Curto e direto (o filme tem apenas 75 minutos de duração), The Devil’s Candy envolve seu público com sua história repleta de referências à eterna luta entre o bem e o mal, que se manifesta de maneira original nas figuras do protagonista Jesse e na incógnita do estranho Raymond, conectando as ações e destinos dos personagens com altas doses de energia e vibração. Neste cenário de conflito físico (e sobrenatural?), brilham as atuações sempre no limite de Embry e Taylor-Vince, perfeitos em seus papéis. A curta duração do filme nunca atrapalha o andamento da produção, que consegue ser profunda em seus significados ocultos e no desenvolvimento de seus personagens centrais, onde além dos citados Jesse e Ray, destaca-se também a presença da adolescente Zooey, gatilho de boa parte dos conflitos do filme.

A produção não é perfeita, é claro. E acaba caindo em algumas das armadilhas do gênero. Mas tais desvios são leves, e completamente compensados pelo ritmo incessante e barulhento da produção, valorizada por um visual apurado (as pinturas do protagonista são sensacionais, e se incorporam como elementos do filme), assim como a nervosa sequência final da produção, executada com muito som e muita fúria. Som, inclusive, que acaba por se tornar outro elemento decisivo da produção, já que não só o estilo Heavy Metal, como também sua atitude, permeia todo o filme.

No palco de alta octanagem que o diretor Sean Byrne arma para discorrer de maneira peculiar sobre a eterna luta entre o Bem e o Mal (leia-se entre Deus e o Diabo), quem ganha é o espectador deste The Devil’s Candy, um thriller tenso, vibrante e repleto de energia, especialmente a energia furiosa do bom e velho Heavy Metal, que inclusive encerra a produção em grande estilo, ao som da banda Metallica e sua sensacional canção “For Whom The Bell Tolls“. Não dá para ser mais pesado do que isso.

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Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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