Papai Noel às Avessas 2 (2016) – Ainda Engraçado, Mas Nem Tanto
06/01/2017
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Papai Noel às Avessas 2 (2016) – Ainda Engraçado, Mas Nem Tanto

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Crítica: Papai Noel às Avessas 2 (Bad Santa 2)

A comédia mal-educada Papai Noel às Avessas (Bad Santa), dirigida pelo ótimo Terry Zwigoff em 2003, é uma de minhas comédias preferidas. Um verdadeiro show de maus exemplos que arrancou de mim uma série de gargalhadas, graças à seu humor pesado e sem concessões, onde brilhava um excepcional Billy Bob Thornton dando um show de mau comportamento em meio à situações absurdamente engraçadas e politicamente incorretas.

Treze longos anos depois, Thornton retorna ao papel mais engraçado de sua carreira, sem a direção de Zwigoff (de Ghost World: Aprendendo a Viver) e sem a grande carta na manga do primeiro filme, a dupla de roteiristas Glenn Ficarra e John Requa, de ótimas produções como O Golpista do Ano (I Love You Phillip Morris, 2009), Amor a Toda Prova (Crazy Stupid Love, 2011) e a nova série This Is Us (2016). De fato, a diferença do roteiro entre os dois filmes é grande, e como esperado, Papai Noel às Avessas 2 (Bad Santa 2, EUA, 2016) não é engraçado como o filme original. Ainda assim, o roteiro de Shauna Cross (de Garota Fantástica e Se Eu Ficar) e do estreante Johnny Rosenthal dispõe de alguns momentos de inspiração, especialmente nos diálogos boca-suja do filme.

Boca-suja assim como seu protagonista, o vigarista e loser de plantão Willie Soke (Thornton), que mais uma vez assiste à sua vida escorrer pelo ralo, após o abandono de sua namorada e as diversas notificações de despejo em sua porta. É quando surge novamente o anão pilantra Marcus (Tony Cox, reprisando seu papel do primeiro filme), que apresenta à Willie uma nova proposta de “trabalho”, onde o plano é Willie vestir-se de Papai Noel, para roubar as doações de Natal de uma instituição de caridade de Chicago, estimadas em milhões de dólares. Willie eventualmente acaba topando a empreitada criminosa, que para sua surpresa, ainda conta com a participação de sua própria mãe, a desbocada Sunny (Kathy Bates), que não poupa o filho de diversos “elogios” ao longo do caminho.

Dirigido pelo correto Mark Waters (de Sexta-Feira Muito Louca e Meninas Malvadas), Papai Noel às Avessas 2 valoriza-se da química de seu trio de protagonistas e dos diálogos repletos de palavrões da mais baixa categoria para fazer rir. E de fato consegue, ainda que bem menos do que o filme original. O filme também marca o retorno de Thurman (Brett Kelly), o garotinho rechonchudo do primeiro filme, que acaba por se apegar ao bandido que se finge de papai noel. O garoto agora cresceu (ainda que apenas no tamanho), e suas interações com Willie também fazem rir bastante, principalmente em uma hilária sequência onde o protagonista pretende dar uma ajudinha para o rapaz perder a virgindade, numa cena que conta com a participação especial de uma grande atriz da atualidade.

O filme ainda conta com a participação da bela Christina Hendricks (da série Mad Men), mas é realmente Kathy Bates quem rouba a cena, em um papel tão grotesco quanto engraçado, fazendo um ótimo contraponto com Thornton, sempre engraçadíssimo na maneira com que profere palavrões tão rápido quanto uma metralhadora, além de divagar em voz alta sobre seus mais baixos instintos pervertidos. É realmente uma pena o roteiro da dupla Cross e Rosenthal ter sido escrito de maneira tão genérica, sem tentar alcançar o mínimo de originalidade, além de forçar demais algumas situações e alguns personagens secundários nada engraçados (lembrando que o filme original ainda trazia participações dos ótimos Bernie Mac e John Ritter, ambos infelizmente falecidos).

Contudo, Papai Noel às Avessas 2 cumpre seu papel, especialmente junto aos fãs (assim como eu) do humor grosseiro do primeiro filme. Sem falar que chega a ser um alívio saber que em tempos de um falso moralismo insuportável e de tanto mimimi nas redes sociais, ainda existem pessoas dispostas a fazer humor politicamente incorreto. O mais engraçado que existe.

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Nota
2.5 de 5
No Geral

Papai Noel às Avessas 2 valoriza-se da química de seu trio de protagonistas e dos diálogos repletos de palavrões da mais baixa categoria para fazer rir. E de fato consegue, ainda que bem menos do que o filme original.

2.5

Justo
2.5 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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