VooDoo (2017) – O Baixo Orçamento é um Inferno!
03/03/2017
Eduardo Kacic (60 artigos)
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VooDoo (2017) – O Baixo Orçamento é um Inferno!

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Crítica: VooDoo (2017)

No ano passado, tive a oportunidade de assistir ao horror de origem turca Baskin (confira a crítica aqui mesmo no Humanoides), filme que mostra a viagem literal de um grupo de policiais ao inferno. Apesar do resultado irregular da produção, me deliciei com a pegada forte do filme, que impressiona com sua maneira explícita de retratar o alcance das garras do tinhoso.

Agora, em 2017, tive a oportunidade de conferir este terror de micro (e quando eu digo micro, vocês não tem ideia do QUÃO micro) orçamento VooDoo (EUA, 2017), outra produção do gênero que retrata uma viagem ao inferno. Entretanto, estamos falando de um outro tipo de inferno: O do baixo orçamento. VooDoo tenta abranger diversos aspectos do gênero e abraçar todos eles, contudo, o dinheiro para a produção é tão curto, que o filme acaba por ser uma verdadeira odisseia infernal para o espectador, que não sabe se ri ou se chora com cenários que fazem o programa do Chaves parecer O Poderoso Chefão. Contudo, não posso apenas descer a lenha na produção, que ao menos, tem plena consciência de tudo o que não é, e chuta o balde dos bons costumes, sem medo nenhum de parecer ridículo.

Rodado em apenas 14 dias (!), VooDoo conta a história de Dani (a bela Samantha Stewart), que sai de Nova Orleans em direção a Los Angeles, na Califórnia, para passar um mês na casa de sua prima, Stacy (Ruth Reynolds), apenas curtindo e enchendo a cara. Entretanto, Dani aos poucos começa a perceber que uma perigosa situação deixada em aberto em sua cidade natal, não a deixará em paz na nova cidade.

Quem me conhece e segue meus textos (principalmente aqui no Humanoides), sabe da minha queda pelo cinema podreira do horror de baixo orçamento. Em meio à tantas sandices que vi dentro do gênero, fui capaz de encontrar algumas pequenas gemas. Este VooDoo contudo, nada tem de gema, e muito menos de qualquer coisa que se assemelhe. A produção até começa bem, montando o cenário de sua “trama” e dando tempo para o espectador começar a compactuar com a protagonista da produção. Com exceção de uma curta e inesperada (e realmente assustadora) pequena cena inserida no filme, a produção leva cinquenta de seus 80 minutos de duração, para finalmente navegar nas águas do gênero. E garanto-lhes, quando o filme começa, não para mais, para o bem e para o mal. Principalmente para o mal.

Em seus trinta minutos finais, VooDoo transforma-se em uma feia e quase insuportável jornada ao inferno, onde imperam cenários que parecem feitos de papelão e de criaturas medonhas que assustam mais pela maquiagem estilo noites do terror do finado Playcenter do que por suas aparições propriamente ditas. Tem de tudo: Diabos, demônios, zumbis, capetas, orcs, padres possuídos, vampiros, orgias infernais, sodomia, o que imaginarem. E durante todos, TODOS estes intermináveis trinta minutos finais, a bela protagonista Samantha Stewart não para de gritar um só minuto. Haja garganta!

Para piorar, a produção é toda filmada no mais do que manjado estilo “found-footage“, e durante toda essa anarquia infernal no terço final do filme, a câmera não só não desliga, como um dos capetas lá de baixo supostamente carrega a câmera e filma a loucura toda, afinal, o público não pode deixar de assistir nada do que acontece no quintal do satanás. Detalhe: A voz da criatura por trás das câmeras é uma cópia xexelenta da voz do Sméagol, da saga O Senhor dos Anéis. Só vendo para acreditar.

Mas mesmo com todos os defeitos mais do que evidentes, consigo perceber o comprometimento de todos na produção, especialmente, é claro, o do diretor e roteirista estreante Tom Costabile, e da protagonista Samantha Stewart, que chegou a ter o pé quebrado durante as insanas filmagens. E no fundo, é essa a essência do horror: Remar contra a maré, não importa o tamanho do mirrado orçamento.

VooDoo é um filme nitidamente e incontestavelmente ruim. Para quem quiser se divertir com a turma de amigos, é o filme perfeito para aquela bela tiração de sarro, com exceção de pouquíssimos momentos realmente bem conduzidos. Contudo, não descarte o nome dos envolvidos, principalmente o do diretor Costabile. Afinal, foi com filmes ruins e pobres como este VooDoo, que grandes nomes do cinema surgiram no radar. Peter Jackson que o diga.

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Nota
2 de 5
No Geral

VooDoo é um filme nitidamente e incontestavelmente ruim. Para quem quiser se divertir com a turma de amigos, é o filme perfeito para aquela bela tiração de sarro.

2

Justo
2 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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