The Demolisher (2015) – Equivocada Concepção
16/03/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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The Demolisher (2015) – Equivocada Concepção

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CRÍTICA: THE DEMOLISHER

Confesso que fui completamente enganado por este The Demolisher (Canadá, 2015). Após uma visualizada em seu trailer cativante e pôster de extremo bom gosto, embarquei na produção com um atiçado senso de empolgação, principalmente pelo fato da produção trazer um tema que sempre rende bons títulos para o cinema: A justiça com as próprias mãos. Mas, quão enganado eu estava…

The Demolisher é um arremedo de filme. Uma produção mal dirigida, mal editada, e que ainda tem a pachorra de tentar se passar de maneira patética por alegoria vanguardista da violência. É quase como se seu diretor e roteirista, um tal Gabriel Carrer (de outras tranqueiras oriundas do Canadá como os thrillers If a Tree Falls e In The House of Flies), tivesse dormido, sonhado que era Nicolas Winding Refn, e acordasse ainda achando que fosse o excelente diretor dinamarquês. Fica nítido o desespero de Carrer em replicar o trabalho de Refn em sua obra, o que torna seu filme ainda mais patético.

O filme, que ainda por cima não obedece uma ordem cronológica (com resultados catastróficos para a produção), conta a história de Bruce (Ry Barrett, colaborador habitual do diretor Carrer), um cidadão qualquer que convive com o trauma e a torturante sensação de impunidade, após sua esposa, Samantha (Tianna Nori), uma ex-policial, ter sido brutalmente atacada por uma gangue de criminosos satanistas. Com sua esposa agora limitada à uma cadeira de rodas e psicologicamente perturbada, Bruce (Wayne, alguém??) decide fazer justiça com as próprias mãos, utilizando um traje do batalhão de choque da polícia e um cassetete para, sem rodeios, punir não só os culpados pelo ataque à sua esposa, como qualquer infeliz meliante que se meter em seu caminho. Mas é claro que tal atitude de Bruce, mais cedo ou mais tarde, vai cobrar seu preço…

Apesar do ponto de partida batido, The Demolisher tinha tudo para fazer bonito. A estética e fotografia do filme são interessantes, e o grandalhão mal-encarado Ry Barrett se sai bem como protagonista. Contudo, ao invés de conduzir seu filme com a simplicidade que serve tão bem ao tema, Carrer tenta fazer de sua produção mais do que realmente é, pontuando a trama com um excesso de questionamentos morais desnecessários, além de espremer uma trama paralela envolvendo uma outra sobrevivente de um ataque, a jovem Marie (Jessica Vano), cuja trajetória se cruzará com a do protagonista.

Além do roteiro confuso e completamente travado, The Demolisher é extremamente mal conduzido e executado. As sequências de violência e combate são mal-enquadradas, sem ritmo, e ainda por cima, Carrer exagera no uso da câmera lenta, em um efeito repetitivo absolutamente irritante. Algumas das sequências da produção, que se passam na noite de uma metrópole canadense, mais parecem filmadas em uma cidade fantasma. Em nenhum momento há alguém nas ruas, nem mesmo uma viatura de polícia sequer, em um efeito completamente risível e inverossímil da produção.

Pouco, mas muito pouco mesmo se salva neste medíocre The Demolisher. Uma patética tentativa de se fazer cinema, onde não há ritmo, emoção, e cuja estética de “filme de arte” é tão mal-concebida que fica difícil acreditar que alguém em sã consciência possa ter autorizado as filmagens de tamanho engodo. Meus “parabéns” ao “diretor” Gabriel Carrer, que conseguiu errar a mão de maneira astronômica em um tema onde é muito fácil acertar. Charles Bronson e seu Desejo de Matar que o diga.

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comentários

Nota
1 de 5
No Geral

Além do roteiro confuso e completamente travado, The Demolisher é extremamente mal conduzido e executado.

1

Fraco
1 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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