Rakka (2017) – Neill Blomkamp sacudindo a poeira e tentando dar a volta por cima
15/06/2017
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Rakka (2017) – Neill Blomkamp sacudindo a poeira e tentando dar a volta por cima

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O jovem cineasta sul-africano Neill Blomkamp surgiu como a nova esperança da ficção-científica. Em 2009, sua estreia na direção Distrito 9 (District 9), foi aclamada por público e crítica (o filme é um dos meus favoritos pessoais), e o resultado do filme deixou o público ansioso pelo que viria a seguir na carreira do diretor.

Curiosamente, o que veio a seguir não foi exatamente o que o público esperava, já que seus dois filmes seguintes, o decepcionante Elysium (2013), e principalmente o fraquíssimo Chappie (2015), colocaram em xeque seu talento promissor. O fato do nome do diretor estar envolvido em um suposto “Alien 5” que nunca aconteceu, só ajudou a piorar a imagem de Blomkamp na atual cena cinematográfica.

O sul-africano decidiu então, numa manobra surpreendente, voltar às origens de seu início de carreira, onde dirigiu e escreveu elogiados curta-metragens como Halo: Landfall (2008) e Alive in Joburg (2005), filme que serviu como inspiração para Distrito 9. E para isso, Blomkamp criou seu próprio estúdio de criação, o batizou de Oats Studios, e sob a bandeira do mesmo, dirigiu três curtas de vinte minutos de duração cada um, e o projeto como um todo ganhou o nome de Oats Studios Experimental Shorts: Volume 1. A ideia do diretor, é ver se haverá interesse suficiente para um Volume 2, e depois, quem sabe, talvez adaptar algum dos curtas em um formato de longa-metragem.

Nesta rápida crítica, eu falo um pouquinho do primeiro esforço de Blomkamp em seu Oats Studios, este Rakka (EUA/África do Sul, 2017), produção em que o diretor e seu visionário talento imagina um futuro apocalíptico na Terra do ano de 2020, onde uma maciça força alienígena aniquilou grade parte da raça humana, e agora almeja dominar completamente o planeta. Um pequeno grupo de rebeldes, situados em um Texas em ruínas, é a única esperança da humanidade na guerra contra a poderosa e mortal raça alienígena invasora.

Rakka é bastante interessante, com um estilo visual bem ao estilo do diretor, que mistura cenários realistas com elementos sci-fi. A violência vista em Distrito 9 também está presente aqui, e o visual dos alienígenas lembra bastante o dos “camarões” de D9. O curta, contudo, carece de um melhor desenvolvimento dos personagens, o que é compreensível diante da falta de um tempo maior para transcorrer a narrativa, mas a excelente concepção visual do filme e a presença sempre firme da eterna Ripley Sigourney Weaver no papel principal, fazem a experiência valer a pena.

O curta termina com um “cliffhanger“, e Blomkamp diz que apesar de ele saber onde quer chegar com a história, seu pequeno estúdio precisa de recursos para poder completá-la. O jeito é torcer para que esta boa ideia do diretor com seu Oats Studios dê bastante certo, e aguardar os dois curtas restantes (cujas críticas em breve postarei também aqui no Humanoides). Ainda acredito completamente no talento deste excelente diretor.

Rakka está disponível em sua versão básica no YouTube (abaixo), e no Steam, onde pode ser conferido com recursos especiais.

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Nota
3 de 5
No Geral

Rakka é bastante interessante, com um estilo visual bem ao estilo do diretor, que mistura cenários realistas com elementos sci-fi.

3

Regular
3 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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