Nina Forever (2015) – Triângulo amoroso além-túmulo
23/02/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Nina Forever (2015) – Triângulo amoroso além-túmulo

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Crítica Nina Forever

Este pequeno e macabro exemplar do cinema britânico Nina Forever (Reino Unido, 2015) sofre de uma severa crise de identidade. Não se decide entre os gêneros, e sua indigesta mistura de comédia, romance e horror, acaba não funcionando, apesar de sua ótima premissa que mais se parece com uma espécie de versão distorcida e perturbada da imortal história de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos.

O filme acompanha o início do relacionamento amoroso entre a jovem e apaixonada Holly (a bela Abigail Hardingham, quase uma Mila Kunis britânica), e o soturno Rob (Cian Barry), que recentemente perdeu sua namorada Nina (Fiona O’Shaughnessy) em um acidente. Tudo começa bem para o casal, já que Holly tem sua paixão correspondida, ao mesmo tempo em que Rob começa a superar o luto.

Mas as coisas começam a complicar para o casal, quando durante sua primeira noite de amor, a falecida Nina surge por entre os lençóis da cama do casal, para o choque e incredulidade de ambos. Para piorar ainda mais a situação, Nina passa a atormentá-los toda vez que Holly e Rob começam a fazer amor, e agora, Rob e Holly precisam descobrir o que está trazendo Nina de volta do mundo dos mortos, antes que ela destrua o relacionamento da dupla.

Nina Forever começa muito bem, com um clima e fotografia mórbidos, que agarram a fria e nebulosa paisagem britânica e a adere à seus protagonistas, que também têm um pé no macabro. A direção da estreante dupla de irmãos Ben e Chris Blaine é firme, e faz seu trio de protagonistas render maravilhas, especialmente a ótima Fiona O’Shaughnessy, deliciosamente insana no papel da personagem-título.

Infelizmente, é no roteiro do filme que os Blaine se perdem, já que a esquizofrenia de sua narrativa não decide a que gênero seguir. O humor é usado com inteligência no início da produção e depois desaparece sem deixar vestígios. E a parcela sobrenatural da trama é desperdiçada em um terço final completamente desnecessário, em que a insistência da produção em soar como um manifesto feminista não combina em nada com o tom inusitado e incomum da produção, que também exagera um pouco na quantidade de sexo em sua narrativa, mas sem efeito nenhum. A sequência em que Nina surge pela primeira vez é arrepiante e espetacularmente filmada, mas seu elemento de Horror não é mais aproveitado no restante da produção.

Resumindo, Nina Forever até vale uma espiada, especialmente por sua meia hora inicial original e surpreendentemente sombria, pela beleza de Abigail Hardingham e pelo desempenho da estranha e eficiente Fiona O’Shaughnessy. Mas a terrível indecisão da produção sobre a que caminho seguir, prejudica demais a experiência.

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Nota
2.5 de 5
No Geral

Resumindo, Nina Forever até vale uma espiada, especialmente por sua meia hora inicial original e surpreendentemente sombria, pela beleza de Abigail Hardingham e pelo desempenho da estranha e eficiente Fiona O'Shaughnessy.

2.5

Justo
2.5 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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