Morgan (2016) – Sci-Fi Sem Identidade
12/12/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Morgan (2016) – Sci-Fi Sem Identidade

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A Sci-Fi moderninha Morgan (EUA, 2016), era o tipo de filme que tinha tudo para dar certo. Um elenco classe A, um conceito narrativo interessante e atual, e tudo bancado por um grande estúdio, fatores que poderiam render um thriller de roer as unhas, ou ao menos um manifesto contra a falta de ética no campo da biotecnologia, e seus efeitos devastadores. Entretanto, a direção completamente genérica e sem inspiração do estreante Luke Scott, e o roteiro capenga de um tal Seth W. Owen colocam tudo a perder.

O início é intrigante. Lee Weathers (a estonteante Kate Mara, do novo e fracassado remake de Quarteto Fantástico), uma consultora de riscos de uma grande corporação, é escalada para investigar um incidente em dos laboratórios extra-campo (e top secret) da empresa, onde um ser humanoide criado artificialmente conhecido como Morgan (a revelação Anya Taylor-Joy, do excepcional A Bruxa), teria se rebelado e agredido um de seus cuidadores. Chegando às instalações, Lee é bem recebida pela pequena equipe que controla o local, além de não encontrar em Morgan uma ameaça real. Entretanto, as coisas não são bem assim, e aos poucos Lee descobrirá os segredos mais escuros em torno de Morgan e sua concepção.

O que começa como uma ficção com características de uma obra séria sobre o tema do uso descontrolado e corrupto da biotecnologia, em pouco tempo abre mão do suspense e transforma-se em um filme de ação enfadonho e de ar extremamente comum. Pouco é explorado em torno da interessante personagem-título, e o diretor Luke Scott e seu roteirista Seth Owen atropelam o pouco de trama apresentada na produção, lotando o filme de cenas de luta e perseguições banais.

O único mérito do filme vai mesmo para seu elenco muito acima da média, que além dos nomes de Mara e Anya, conta ainda com Paul Giamatti (Sideways: Entre Umas e Outras), a ruiva Rose Leslie (a Ygritte da série Game of Thrones), Toby Jones (O Nevoeiro), o ascendente Boyd Holbrook (vilão do vindouro Logan, que marca a última atuação de Hugh Jackman como o mutante Wolverine), e ainda Michelle Yeoh (O Tigre e o Dragão), Brian Cox (Coração Valente) e Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados), em um papel simplesmente vexatório, de tão inútil. Aliás, todo o elenco é desperdiçado em papéis unidimensionais, inclusive a ótima Anya Taylor-Joy, cujo personagem mal trabalhado não consegue apelo com o público, salvo algumas poucas passagens da produção.

Com exceção de uma pequena e esperta surpresa em seus minutos finais, e a boa presença em cena de sua protagonista Kate Mara, este Morgan é um thriller de dar sono, que não explora a profundidade de seus temas, e prefere trilhar os caminhos de um filme de ação. Um filme de ação ruim.

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Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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