Moonlight (2016):  Um banho de luar cinematográfico
31/01/2017
Rafael Mendonça (15 artigos)
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Moonlight (2016): Um banho de luar cinematográfico

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Em seu segundo filme, Berry Jenkings já sabe como lidar com o Cinema de forma magistral. Seu novo filme ”Moonlight”, que concorre a oito óscares sendo eles melhor filme, melhor direção, melhor ator coadjuvante, melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor edição e melhor trilha sonora, é uma lição de como realizar uma obra sensível e que reverbera nos âmagos mais profundos do ser humano. Seu controle de personificação de mundo e personagens é louvável.

Numa história que poderia facilmente decair num clichê, Jenkins retrata a realidade e o crescimento de Chiron, um jovem negro e pobre que procura sua identidade. Não fazendo uso de caminhos fáceis para se contar a história, as escolhas do diretor em relação ao longa são peculiares: vemos um mundo totalmente palpável, tridimensional em nossa frente. Os esteriótipos da periferia e de assuntos ‘LGBT’ (o personagem principal é homossexual) tem muito mais profundidade do que o costume e não vemos padrões ou dicotomias simples aqui, e sim relações de causa e efeito muito mais complexas. Parece tudo muito complicado, mas não é. Tudo esta aqui, na sutileza ao mesmo tempo que na dureza de olhares de interpretações delicadas, outrora energéticas, raivosas.

Se percebe a conquista do diretor de retirar o máximo de seus atores, que já são ótimos, mas se transformam em heróis de atuação. Porque? Falam demais? Esbanjam diálogos fervorosos e de cair o queixo? Não, quase não falam nada. E aí esta o Cinema verdadeiramente sendo feito, no seu total entendimento. Não diga, mostre, você tem uma câmera para isso e seu espectador não é um idiota.

Pequenos olhares, personagens e situações repetidamente usadas em diferentes filmes mas que neste não saem como o planejado ou como esperamos. ”Moonlight” é esse banho de luar cinematográfico.

Fotografia urbana, vezes clara e viva, vezes morta e breve. Exportam sensações, vez ou outra internalizam pensamentos.
Mas apesar das numerosas indicações, são as atuações e o controle de cena de todos os atores que em conjunto fazem disso uma obra que beira o classicismo, por evocar um Cinema mudo de certa forma, que contempla mais a ação e olhares do que a explicação de falas, mas que também possui os pés na ‘modernidade’, ditando assuntos atuais e que nunca se tornam banais de serem discutidos.

O crescimento de Chíron é moldado em três atos, com três atores diferentes que conseguem imprimir à urgência do que deve ser retratado: seu total desfoque do social, sua tentativa de fugas, seus medos e seu silêncio que diz tudo. Temos então primeiramente Alex R. Hippert, depois Ashton Sanders e fechando o ciclo com Thevante Rhodes, únicos e semelhantes, completos.

Temos ainda outros monstros de atuação indicados e com razão:
Mahershala Ali, quebrando esteriótipos com seu traficante humanizado e que abraça Chíron, Naomi Harris, Paula, a mãe de nosso personagem, ambígua, visceral e finalmente André Holland, a surpresa final.

Finalizando, ”Moonlight” é a lição de que um ótimo filme não precisa de dezenas de milhões para ser feito (custou apenas cinco milhões de dólares), basta entender para que o Cinema veio ao mundo. E ele veio para nos entregar as melhores histórias, aquelas que, supostamente, não conseguiríamos ver, que estão do outro lado do planeta, esperando para serem admiradas.

Como o luar, impecável.

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Marcadores drama, Moonligh, Oscar 2016
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