Mandala Night Club (2014) – Cinema de Horror com Toque de Guerrilha
17/11/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
2 comentários
Compartilhar

Mandala Night Club (2014) – Cinema de Horror com Toque de Guerrilha

FacebookTwitterGoogle GmailShare

Crítica: Mandala Night Club

Exibido nos festivais Grotesc O Vision, Festival Internacional de Filmes de Terror de Curitiba, Cine de Bordas do Itau Cultural em São Paulo, Festival Boca do Inferno também em São Paulo, e recentemente no Trash Internacional em Goiânia, entre outros, este Mandala Night Club (Brasil, 2014), é mais uma incursão do cineasta pernambucano Lula Magalhães ao cinema de Horror, o qual conhece tão bem. Feito com um orçamento de menos de 10 Mil Reais e sem patrocínio algum, trata-se de mais uma produção brasileira executada em esquema de guerrilha, com muito suor e dedicação.

Guerrilha aliás, Lula Magalhães conhece muito bem. Há cerca de cinco anos lutando para continuar fazendo cinema no cenário independente, Lula produziu e já dirigiu filmes já bastante conhecidos dos fãs do cinema de Horror. Como por exemplo Invasor (2015), e Indutor, seu trabalho mais recente. A escassez de incentivos públicos e privados fez com que o diretor bancasse a produção de todos seus filmes completamente sozinho, com dinheiro do próprio bolso. E apesar da falta de um orçamento maior ser perceptível em sua obra, tal dificuldade não é uma barreira para o cineasta, que do pouco, extrai muito, com criatividade e, conforme a expressão popular, “com sangue nos olhos”.

É assim com este Mandala Night Club, curta-metragem de 33 minutos de duração, onde Magalhães coloca seu público como observadores das noites quentes do Recife, onde literalmente, tudo pode acontecer. Numa destas noites, três prostitutas são contratadas por um estranho (Diogo Testa), que à princípio parece apenas estar atrás de uma noite de sexo grupal com as garotas. Entretanto, uma vez que as profissionais chegam ao local do encontro, um galpão abandonado, elas percebem que as coisas não serão bem assim. Ao mesmo tempo, um michê cruza a cidade, tendo como destino o mesmo galpão abandonado, com resultados imprevisíveis para todos os envolvidos.

Com mão pesada, Magalhães imprime seu estilo explícito de fazer cinema logo nos minutos iniciais de seu curta. Carregando na nudez, nos palavrões e na violência, o diretor constrói um pequeno e visceral exercício de tensão, que transpira um ar de cinema exploitation. É admirável também a maneira com que o diretor conduz o elenco, ainda desconhecido do grande público. As garotas são naturais frente às câmeras, e o estranho protagonista Diogo Testa cria um personagem que fica gravado na cabeça do espectador, principalmente quando seu mórbido plano para a noite fica claro para o público.

Apesar da aparência e da estrutura que aparenta uma certa simplicidade macabra, Mandala Night Club carrega consigo uma certa aura existencialista, que manifesta-se na figura de seu enigmático, se não insano protagonista, que parece sentir a irresistível necessidade de experimentar todos os prazeres e perigos da noite do Recife, sendo articulador, vítima e perpetrador de seus próprios planos maquiavélicos. É como diz o ditado popular: “De noite, à candeia, a bruxa parece donzela”.

É claro que o curta sofre com a falta de um orçamento mais elevado. Os efeitos de gore ficam devendo, principalmente dada a temática da produção, e o som também não é dos melhores. Entretanto, conduzir um cinema de guerrilha é isso. Tirar o máximo de onde não existe nada, e no caso de Lula Magalhães, fazer Horror dentro de um cenário econômico de pesadelo.

Mas todos estes fatores acabam operando à favor de Lula Magalhães e seu Mandala Night Club. Uma produção que exprime o talento do cineasta brasileiro para o gênero Horror, que infelizmente, continua a ter seu potencial subjugado por um governo corrupto e que nunca valoriza a cultura cinematográfica do país. Ah sim… Cinema de Horror também é cultura. E cultura das boas!

FacebookTwitterGoogle GmailShare

comentários

Nota
4 de 5
No Geral

Mandala Night Club é uma produção que exprime o talento do cineasta brasileiro Lula Magalhães para o gênero Horror, que infelizmente, continua a ter seu potencial subjugado por um governo corrupto e que nunca valoriza a cultura cinematográfica do país.

4

Bom
4 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

Comentários

  1. […] como em minha crítica de outro curta independente nacional, o forte Mandala Night Club, dirigido pelo cineasta pernambucano Lula Magalhães, e publicada aqui mesmo no Humanoides, decidi […]
  2. […] alguns meses aqui mesmo no Humanoides, esta verdadeira vitrine para o intrépido cinema independente nacional, falei um […]

Escrever comentário

Seus dados estarão seguros! Seu endereço de email não será publicado. Seus outros dados também não serão compartilhados com terceiros. Os campos obrigatórios estão marcados como *