João de Barro (2017) – A Ganância Sempre Cobra o Seu Preço
29/07/2017
Eduardo Kacic (60 artigos)
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João de Barro (2017) – A Ganância Sempre Cobra o Seu Preço

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Há alguns meses, publiquei aqui mesmo no site Humanoides (uma vitrine já conhecida para a divulgação do cinema independente brasileiro), as críticas de dois curtas da jovem e talentosa cineasta brasileira Jackeline Weston; o poético Kouka, e o sensível O Tempo de Tomás. Jackeline é filha do também cineasta e produtor Absair Weston, dono da Weston Filmes, uma pequena porém prolífica produtora nacional, especializada em curta-metragens.

Desta vez, venho falar para vocês sobre o novo curta do próprio Absair, que dirige e escreve este João de Barro (Brasil, 2017), sob o selo de sua Weston Filmes, e contando com a assistência de sua filha Jackeline na direção. No filme, o ator Pedro Stach interpreta o personagem-título, um humilde trabalhador de uma olaria que num dia qualquer, voltando de mais uma dura jornada de trabalho, encontra um corpo na beira da estrada. Ao lado do corpo, João encontra uma sacola cheia de dinheiro, e sem pensar duas vezes, decide levar a sacola para casa. E agora, como se não bastasse o fato dos verdadeiros donos do dinheiro estarem no encalço da grana, a própria mulher de João, a gananciosa e adúltera Rita (Ieda Queiroz), também tem seus planos para o dinheiro.

Longe da roupagem mais sentimental das obras da filha Jackeline, Absair dirige seu João de Barro com mão pesada e ritmo intenso, mergulhando sua produção em uma estética um tanto setentista, apoiando-se na trilha-sonora da banda Iluminari, e nas influências das histórias de crime que transbordavam no cinema da época.

A produção também bebe na inesgotável e sempre interessante vertente do cinema “achado não é roubado”, que já rendeu espetaculares exemplares cinematográficos, como o suspense Um Plano Simples (A Simple Plan), dirigido por Sam Raimi em 1998, e o vencedor do Oscar Onde Os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men), dirigido pelos Irmãos Coen em 2007. Assim como nas produções citadas, Weston situa seu protagonista em um cenário de ganância desenfreada e vingança imediata, onde ladrão que rouba ladrão não ganha nenhum ano de perdão.

A fotografia da produção, à cargo do próprio Absair, é uma atração à parte, trazendo highlights como a tomada aérea da sequência inicial, e também a cena onde João corre por entre um gigantesco milharal. Apesar das qualidades técnicas da produção e do sólido elenco, a narrativa poderia ser um pouco mais surpreendente, especialmente dentro do gênero ao qual pertence. Ainda assim, o filme é totalmente eficaz em entregar a sua mensagem central, a de que a ganância e a ambição sempre cobram seu preço.

Mais um bom trabalho da produtora Weston Filmes, desta vez à cargo de seu talentoso e firme cineasta e fundador Absair Weston, João de Barro funciona como um suspense duro e direto, realizado com extrema competência e uma boa dose de sangue nos olhos. O que dentro do cinema repleto de “não me toques” de hoje em dia, não é pouca coisa.

João de Barro foi selecionado para o VII Anápolis Festival de Cinema, que acontece na cidade entre os dias 24 e 31 de Julho de 2017.

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Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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