Celular (2016) – Chamada Perdida…
17/06/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Celular (2016) – Chamada Perdida…

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Crítica: Celular (Cell, 2016)

Quando se reuniram pela primeira vez, há quase dez anos, John Cusack, Samuel L. Jackson e o texto do Mestre do Horror Stephen King terminaram por entregar um ótimo produto do gênero Horror, o tenso 1408, dirigido pelo sueco Mikael Håfström em 2007. Desde então, a carreira de Cusack entrou em um terrível e inexplicável declínio, e o nome do ator está cada vez mais ligado a produções duvidosas, semelhante ao processo em que se encontra a decadente carreira de Nicolas Cage.

Ainda assim, quando vi seu nome mais uma vez reunido aos nomes de Jackson e King, sob a batuta do correto diretor Tod Williams (do bom drama Provocação), neste Celular (Cell, EUA/2016), baseado no bom livro do escritor lançado em 2009, confesso que minhas esperanças na produção se mantiveram um tanto elevadas. Celular, contudo, com exceção de seus vibrantes 15 minutos iniciais, termina por ser uma das piores adaptações da obra de King para o cinema. O mais triste? O próprio King é um dos responsáveis pelo roteiro do filme.

Ao lado do jovem roteirista Adam Allecca (do eficiente A Última Casa), King adapta sua história sobre o desenhista Clay Riddell (Cusack), que após desembarcar em um movimentado aeroporto, vivencia um verdadeiro inferno quando um misterioso sinal afeta as redes de telefones celulares ao redor do mundo, enlouquecendo os usuários e transformando-os em verdadeiros insanos homicidas. Longe da ex-mulher e de seu filho, Clay junta-se a um condutor do metrô, Tom McCourt (Jackson), na esperança de conseguir retornar à sua família, em meio a um mundo devastado por este novo apocalipse.

Chega a ser inexplicável como um material adaptado para o cinema pela mesma mão que escreveu o material de origem, possa ter resultados tão distintos. Em seu livro, King meio que já profetizava a “escravidão” humana por seus aparelhos celulares, e utilizava a conectividade de seus usuários como metáfora para ilustrar sua decorrente perda da individualidade, que em seu macabro conto, ganha ares de história de zumbi. Mas na versão cinematográfica, não há nenhum vestígio deste interessante subtexto, e o filme se desenrola sem reflexões e com uma narrativa travada e pouquíssimo inspirada. A única explicação plausível para tamanho desvio de qualidade e relevância entre as duas obras talvez seja a turbulenta produção do filme, que segundo as más-linguas, deixou King e Cusack, co-produtor do filme, de escanteio na reta final da pós-produção.

Pouco se salva em Celular. Mesmo com tantos problemas narrativos, Cusack e Jackson mostram entrosamento, e a frenética sequência de abertura do filme, pouco reflete o marasmo de todo o restante da produção, que para colocar a cereja no bolo podre, ainda apresenta uma conclusão simplesmente vexatória e fora de contexto.

Para os fãs de King, como eu, Celular serve apenas para matar a curiosidade e a vontade de conferir algo baseado na obra do escritor. Como experiência cinematográfica em si, é uma decepção completa, e evidencia o triste destino da carreira de John Cusack, um ator de que gosto bastante, mas que há muito tempo não justifica sua profissão como deveria. Uma pena.

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Nota
1 de 5
No Geral

Para os fãs de King, como eu, Celular serve apenas para matar a curiosidade e a vontade de conferir algo baseado na obra do escritor.

1

Fraco
1 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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