Carnage Park (2016) – Produção Independente com Crise de Identidade
29/09/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Carnage Park (2016) – Produção Independente com Crise de Identidade

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O thriller independente Carnage Park (EUA, 2016) é uma das produções mais bipolares que pude conferir nos últimos tempos. Fica a impressão de que seu jovem diretor e roteirista, Mickey Keating (do interessante Horror Darling, 2015), foi dormir numa noite, acordou achando que fosse Quentin Tarantino, e deu início às filmagens de seu novo filme. Em algum momento das filmagens, dormiu de novo, acordou achando-se Wes Craven em começo de carreira, e terminou seu filme. Resultado: Carnage Park falha como thriller sobre bandidos, falha miseravelmente como um slasher movie, e obviamente, falha como todo em ser um bom filme.

E olha que o filme começa muito bem, num ritmo frenético e barulhento, para contar a história supostamente verídica acontecida nos cafundós da Califórnia em 1977, sobre uma dupla de ladrões de quinta categoria em rota de fuga, que sequestram a jovem Vivian (a ótima Ashley Bell, da franquia O último Exorcismo) como garantia no caso das coisas azedarem com a polícia. O que os bandidos não imaginavam é que ao viajar com seu carro por uma região erma, cairiam nas mãos do demente Wyatt Moss (o também ótimo Pat Healy, de Hotel da Morte e Cheap Thrills) um alucinado veterano atirador de elite da Guerra do Vietnã, que está pronto para meter bala em quem cruzar o seu caminho.

O diretor Keating começa seu filme com uma estética moderninha, banhada por edição acelerada e trilha-sonora barulhenta. Personagens propositalmente caricatos e a utilização de câmera lenta completam a cena Tarantinesca a que Carnage Park se propõe em seus vinte minutos iniciais. Contudo, quando o filme se aprofunda na figura do atirador, o filme toma um rumo ao estilo Quadrilha de Sádicos que simplesmente não se funde com o início da produção, dando a impressão de tratar-se de dois filmes distintos e que não funcionam. Os 15 minutos finais, são uma verdadeira tortura para o espectador, num ripoff sem-vergonha do clímax da obra-prima O Silêncio dos Inocentes, que deixaria Jonathan Demme envergonhado.

Keating ainda desperdiça a presença do sensacional Pat Healy, cujo personagem já rouba a cena em sua primeira aparição, apenas para ser dispensado em seguida numa decisão medíocre do diretor e roteirista. A ótima Ashley Bell se esforça bastante, mas sua personagem sozinha não é capaz de salvar o filme, que deixa a desejar com um roteiro preguiçoso e de conclusão ridiculamente abrupta.

Sem dúvidas, há quem se divertirá com este Carnage Park, principalmente com o início agitado da produção. Mas chega a ser triste ver todo o potencial desperdiçado em sua narrativa, especialmente quando sabemos que tal resultado é efeito da presunção de seu jovem (e inexperiente) realizador.

Menos, Sr. Keating. Menos…

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Nota
2 de 5
No Geral

O thriller independente Carnage Park (EUA, 2016) é uma das produções mais bipolares que pude conferir nos últimos tempos.

2

Justo
2 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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