Bedevilled (2010) – Os Excessos da Vingança
25/07/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Bedevilled (2010) – Os Excessos da Vingança

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Crítica – BEDEVILLED (Coréia do Sul, 2010)

Os sul-coreanos dominam a arte de executar um bom thriller. A perícia deles é tanta, que juntas, as produções de suspense oriundas do país já formam, por elas mesmas, um novo subgênero. Chan-wook Park e sua aclamada Trilogia da Vingança, The Chaser: O Caçador (Hong-jin Na, 2008), e Eu Vi o Diabo (Jee-woon Kim, 2010), são apenas alguns dos excelentes exemplares do gênero, vindos do país. Mais um digno exemplar desta vertente sul-coreana, este menos conhecido Bedevilled (Coréia do Sul, 2010), mantém o alto nível de tensão visceral dos filmes citados acima, mas acaba destoando um pouco dos demais, especialmente em seu terço final. Já veremos o porquê…

O filme apresenta ao público a workaholic Hae-won (Seong-won Ji, de Harmony, 2010), uma petulante funcionária de um banco em Seul, que após uma crise de estresse, é afastada do trabalho por seu chefe. Desacostumada a ficar em casa com tempo livre, Hae-won decide viajar para uma remota ilha no litoral do país, onde passou boa parte de sua infância, e onde se situa a casa de seu falecido avô. Ao chegar ao local, Hae-won é recepcionada com simpatia por sua melhor amiga de infância, Kim Bok-nam (Yeong-hie Seo, do citado The Chaser: O Caçador), que logo a deixa bem à vontade na ilha. Contudo, bastam alguns dias no local para Hae-won começar a perceber um estranho padrão nas relações entre os poucos moradores do local, todos da mesma família. Família que faz de sua amiga, Bok-nam, um alvo de abuso mental, físico e sexual.

Dirigido por Cheol-soo Jang (do mediano Secretly, Greatly, 2013), Bedevilled constrói um bom clima de tensão em sua primeira hora, colocando o espectador em uma revoltante jornada de humilhação ao lado de uma de suas protagonistas. Entretanto, Jang e seu roteirista, Kwang-young Choi (Secret Reunion, também de 2010), exageram no tom de manifesto feminista da produção, o que é feito sem nenhuma sutileza e beira a manipulação do público. A produção, é claro, também baseia boa parte de sua força na antecipação da vingança, que de fato, é uma constante na cabeça do público, na segunda metade do filme. Contudo, quando chega o momento do público finalmente lavar a alma, tudo é feito de maneira um tanto atabalhoada, onde a interpretação caricata de alguns membros do elenco quase coloca tudo a perder no momento decisivo da produção, sem falar na sequência final terrivelmente forçada.

Ainda assim, todos os elementos que tornaram o cinema sul-coreano de suspense uma potência mundial estão lá. A violência explícita, a exploração do sexo sem floreios, e a tensão inerente das produções do país dão o tom, e o resultado final não é para ser descartado de maneira nenhuma.

Bedevilled vai de encontro ao que os admiradores do cinema sul-coreano esperam. Adrenalina, tensão e violência, banhados em uma trama bem trabalhada e com personagens bem explorados pela narrativa. Não fossem os exageros descontrolados em seu ato final, seria mais um thriller do país a ficar gravado na memória.

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Nota
3.5 de 5
No Geral

Bedevilled vai de encontro ao que os admiradores do cinema sul-coreano esperam. Adrenalina, tensão e violência.

3.5

Regular
3.5 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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