Baskin (2015) – Uma Sádica e Horripilante Viagem ao Inferno
11/02/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Baskin (2015) – Uma Sádica e Horripilante Viagem ao Inferno

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Crítica – BASKIN (Turquia, 2015)

A produção turca de horror Baskin (2015) transborda combustível para encher suas noites de pesadelos. Mas não que o faça por ser exatamente bom cinema. Apresentando um perturbador conceito em seu núcleo narrativo, e uma enormidade de tomadas com elementos assombrosos e grotescos, o roteiro de Baskin porém não suporta estas qualidades. E o que poderia ser um tremendo banho de sangue no terceiro ato da produção, acaba por tornar-se uma experiência pesarosa e pouco recompensadora para o espectador, que é bombardeado com violento sadismo e pouquíssima história.

Baskin começa com um grupo de policiais reunidos em um restaurante, antes de partir para o que eles acreditavam ser mais uma noite de patrulha sem maiores incidentes. No entanto, logo eles recebem um chamado para reforçar uma outra equipe de policiais, em um local próximo dali. Ao chegar ao local – um prédio abandonado – a trupe logo identifica a viatura dos outros policiais, que parecem estar desaparecidos. E não demora para os bravos oficiais da lei perceberem o porquê: O prédio está sendo utilizado para um sangrento e sádico ritual satânico.

Tecnicamente, Baskin é um filme impressionante. O diretor estreante em longas Can Evrenol demonstra mão firme no tom e estilo, e o calabouço satânico onde os oficiais se enfiam é detalhado de maneira rica e perturbadora. Contudo, em Baskin é tudo pelo gore, e nada mais. Se esta for sua praia, então mergulhe de cabeça. Mas tal mergulho tem um preço, já que é impossível um filme funcionar sem personagens pelos quais o espectador se importe. Os atores que interpretam os policiais no filme entregam performances corretas e críveis. Entretanto, seus personagens soam como cretinos insensíveis boa parte do tempo, e quando o Inferno começa a rolar solto na produção e os tiras passam a ser escolhidos um a um, é apenas o excesso de gore e violência que faz o espectador estremecer. Já que o público dificilmente dará a mínima para qualquer um dos personagens centrais.

Com esta deficiência no desenvolvimento de seus personagens, Baskin acaba sendo valorizado mesmo, como já mencionado, por suas qualidades técnicas e design de produção. O prédio abandonado transpira sangue por todos os cantos, com vítimas acorrentadas, algumas deformadas e outras amputadas de seus membros. Os corredores estão inundados com gemidos medonhos. A atmosfera é esmagadoramente poderosa e os valores de produção são de arrepiar. Ainda assim, o destaque da porção mais brutal do filme é a presença do esquisito Mehmet Cerrahoglu. O ator entra em cena como o mestre de cerimônias do demoníaco local, e sua performance é fisicamente aterradora e impressionante.

Baskin é literalmente uma viagem infernal. Tão infernal, que o filme mal consegue superar sua própria carnificina. É terror pesado e para poucos, com excesso de sangue e vísceras, e que apesar de não entregar personagens cativantes ou mesmo uma mitologia interessante, dificilmente desapontará os fãs mais hardcore do gênero. E apesar de sua conclusão decepcionante e abrupta, é uma produção que permanece na cabeça do espectador após a sessão. Eu mesmo estou me sentindo sujo até agora.

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comentários

Nota
3 de 5
No Geral

Baskin é literalmente uma viagem infernal. Tão infernal, que o filme mal consegue superar sua própria carnificina.

3

Regular
3 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

Comentários

  1. […] no TIFF, o Festival de Toronto no final de 2015, ao lado de pérolas do gênero como o pesado Baskin (veja a crítica aqui no Humanoides) e da antologia Southbound da Magnet Releasing, este The […]

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