Até O Último Homem (2016): A volta suprema de Mel Gibson
26/01/2017
Rafael Mendonça (15 artigos)
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Até O Último Homem (2016): A volta suprema de Mel Gibson

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Vamos começar com aquele clichê: a volta de Mel Gibson! Mas convenhamos, se é clichê, é porque se fala muito, e fala-se muito pois é importante ou chamativo (algumas vezes, como esta). Dez anos sem voltar para trás das câmeras, sendo seu último filme Apocalypto (2006). E mesmo que se passe uma década, vemos suas características mais marcantes: a mesclagem do drama com o teor religioso, ao passo de que não teme esbanjar violência, porém nunca esquecendo do drama para seguir em frente sua história.

”Até o último homem” é uma mistura de um melodrama com um filme de guerra. A construção do personagem Demons T. Moss feita por Andrew Garfield é peculiar, pois Desmond quer se alistar no exército e ajudar seu país na Segunda Guerra Mundial, com um obstáculo: ele é um pacifista, um Opositor Consciente, alguém que não usa armas ou usa da violência para resolver seus problemas. Daí entra um pouco do já dito melodrama: melodrama se trata de personagens sendo afetados negativamente por forças das quais eles não tem possibilidade certa de enfrentar, como a sociedade em sí, isto é, Desmond recebe a resistência e requintes de crueldade de seus ditos comparsas e superiores, apenas por ter uma ideologia e crença diferentes da do exército do qual quer se promover.

Sua atuação por momentos parece refletir um personagem que não sabe das consequências das quais esta adentrando, mas que vai se moldando e não deixa de seguir com o desejo de ser médico na guerra. Ao invés de ceifar, salvará, diz. Ao invés de destruir, reconstruirá. Toda essa ousadia então se torna carismática, alcança uma empatia com quem assiste sua jornada. Não bastasse o exército, Desmons T. Moss possui um pai nada exemplar, que é fantasticamente interpretado por Hugo Weaving (Agente Smith, Matrix), um conservador religioso bruto, que poderia nos mostrar somente um faceta de personalidade e ser construído até esse limite, sendo apenas mais um ”vilão” ao filme, mas Hugo Weaving dispõe de momentos que nos fazem questionar se aquela pessoa é realmente má ou apenas resultado de circunstâncias horríveis além de seu controle (como o próprio melodrama).

Como esperado, Teresa Palmer faz um par amoroso com Andrew Garfield, dando vida à enfermeira Dorothy Schutte, que ajuda ainda mais à dar tridimensionalidade as emoções de nosso personagem principal. É interessante dizer que todos eles, sejam membros centrais da família de Moss, ou simples recrutas de seu time, possuem sua importância e soma à projeção. Resumindo o primeiro artifício (o melodrama): ”Até o último homem” nos arrebata com uma enxurrada de interpretações e carga dramáticas que nos sensibilizam, para depois, destruir tudo isso. E destrói porque é a guerra, destrói porque Gibson mostra corpos mutilados, direciona a fumaça densa para tapar os olhos deles (e os nossos), nos deixa escutar os estilhaços, os gritos, os tiros, tudo que uma guerra caótica (e isso é redundância?) pode, infelizmente, oferecer.

Por um momento aquela ‘esperança’ levantada pelo filme é apagada, e não vemos uma alternativa de sobrevivência de um personagem tão ingênuo, que se recusa a portar uma arma mesmo em frente à centenas de inimigos. Vemos aqui uma mixagem e edição de som bem trabalhada (comum em filmes de guerra), que pra quem não sabe o que é, basicamente você – como o próprio nome diz – mixa todos os sons de um filme numa determinada cena, ou seja, é audível e não confuso e só barulhento, todos os sons que possam vir a ser escutados, você percebe, seja as vozes dos diálogos, as balas, os passos, e tudo que têm direito a ouvir.

Com um óbvio patriotismo, o longa então se mantém em ciclos de sensações como estas, sensíveis e violentas, mas conseguindo manter um ritmo para o interesse do público, não caindo na gratuidade.

Com uma volta exemplar, Gibson adapta uma história real, do primeiro e único até então Opositor Consciente numa guerra, que logo após se tornou um herói nacional. O filme foi, assustadoramente, filmado em apenas cinquenta e nove dias, o que mostra um total controle sobre o projeto. Custou quarenta milhões, e recebeu seis indicações ao Oscar 2017: melhor montagem, melhor edição de som, melhor mixagem de som, melhor ator, melhor direção e melhor filme.

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