31 (2016) – Só Estilo Não Vale
23/09/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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31 (2016) – Só Estilo Não Vale

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Crítica: 31 (2016)

Quando deixou o trabalho de vocalista da banda de Heavy Metal White Zombie em segundo plano, no início dos anos 2000, para tentar a sorte como diretor de cinema, Rob Zombie deu um tiro no escuro. Poucos apostavam em seu sucesso, dando a impressão de que sua escolha, não passava de uma excentricidade de quem já é um milionário. Fã do gênero Horror desde criança, Zombie se aplicou na nova função, dando ao gênero a que tanto ama, uma cara e estilo únicos, mostrando inegável talento. Entretanto, com exceção de seu melhor filme, o sensacional Rejeitados Pelo Diabo (The Devil’s Rejects, 2005), toda a filmografia de Zombie parece se resumir somente à demonstração do estilo do diretor, o que não é diferente neste 31 (EUA, 2016), sua nova empreitada.

O filme parece rebuscar seu primeiro trabalho, o insano A Casa dos 1000 Corpos (House of 1000 Corpses), lançado em 2003. Contudo, a energia original de sua primeira produção não é encontrada aqui, e 31 termina por ser apenas a nova e pouco inspirada “gorefest” do diretor, que mais uma vez aplica sua concepção única na construção de sua obra, mas que padece terrivelmente de uma narrativa no mínimo interessante, culpa do roteiro do próprio Zombie.


O filme, como não poderia deixar de ser em um filme de Rob Zombie, se passa nos anos 70, assim como as obras que mais influenciaram o diretor, como O Massacre da Serra-Elétrica (Tobe Hooper, 1974) e Quadrilha de Sádicos (Wes Craven, 1977), e apresenta ao público um grupo de trabalhadores de um parque de diversões itinerante, que é sequestrado e colocado em uma instalação subterrânea, onde seus integrantes são forçados a disputar o 31, um sádico jogo onde devem sobreviver doze horas a uma caçada realizada por uma gangue de sádicos palhaços.

Apesar da premissa rasa, havia material para se trabalhar algo de pelo menos mais apelo, se ao menos os personagens centrais da produção tivessem um mínimo de identificação com o público. Entretanto, a trupe de protagonistas é insuportável, de comportamento detestável, e eu me peguei, em vários momentos, torcendo pelos palhaços homicidas.


A bela Sheri Moon Zombie, esposa e colaboradora em praticamente todos os trabalhos do diretor, mais uma vez marca presença aqui, como a líder do grupo de protagonistas. Mas nem sua presença é capaz de salvar o filme, que só não é pior, graças à performance descomunal do desconhecido do grande público, Richard Brake (de papéis pequenos em Batman Begins e Doom: A Porta do Inferno). Dono do filme como o pior dos palhaços assassinos da produção, Brake tem um monólogo sensacional na primeira sequência do filme, e quando seu personagem ressurge no terço final da produção, sua atuação mais uma vez levanta o patamar do filme. Depois de seu show neste 31, estou ansioso para ver se o ator consegue papéis de mais expressão na carreira.

A produção (em mais um aspecto que já é padrão nos filmes de Zombie), traz uma trilha-sonora recheada de hits dos anos 70, além de uma fotografia interessante, e ótimos efeitos de gore. Todas estas qualidades, funcionam na construção do já referido estilo único de Zombie na direção, mas não fazem nada pela sofrível narrativa do filme, no entanto.

Quem conhece melhor o cinema do diretor Rob Zombie, já percebeu que o diretor não vem numa ascendente. O acúmulo de produções medíocres, desde sua adaptação do clássico Halloween, até seu péssimo trabalho anterior, As Senhoras de Salem, e chegando à este 31, não oferece um horizonte muito promissor em sua carreira. Resta torcer para que em seus próximos projetos (que incluem uma prequel de Viagem Maldita (filme dirigido pelo francês Alexandre Aja em 2005, que por sua vez é um remake do citado Quadrilha de Sádicos, um dos preferidos do diretor), Zombie encontre novamente o equilíbrio entre estilo e substância.

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comentários

Nota
1 de 5
No Geral

31 mostra que falta equilíbrio entre estilo e substância, no alucinógeno e brutal cinema de Rob Zombie.

1

Fraco
1 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

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