The End of the F***ing World: A busca por identidade em mundo caótico
31/01/2018
Lorena Gonçalves (3 artigos)
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The End of the F***ing World: A busca por identidade em mundo caótico

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Quando somos adolescentes é fácil acreditar que o mundo está contra nós ou que nós estamos contra o mundo. The End of the Fucking World conta sobre dois adolescentes que pensavam assim. A série é uma produção britânica do  Channel 4 (também responsável pela primeira e segunda temporada de Black Mirror) que estreou na Netflix em janeiro. A história é uma adaptação dos quadrinhos de Charles S. Forsman onde dois adolescentes, James (Alex Lawther) e Alyssa (Jessica Barden), fogem de casa por não se encaixarem nas suas realidades. James se considera um psicopata incapaz de sentir qualquer sentimento, enquanto Alyssa não gosta das pessoas com quem convive incluindo sua mãe e seu padrasto. Os dois se unem em meio a um amor-amizade, partem da cidade e é quando toda a trama acontece. Entre invasões, um assassinato e fugas vemos dois adolescentes procurando suas identidades.

Há coisas boas e não tão boas na série. The End of the F***ing World é muito bem produzida com uma fotografia incrivelmente bem feita. Houve um cuidado com o uso da luz que é perceptível em cada episódio. Há o uso de contra-luz na cena, como na cena em que James e a Alyssa andam pela floresta. Em algum momentos só existe um foco de luz e em outros a luz está ausente e a cena fica chapada.

A direção de arte também deve ser elogiada. A escolha dos figurinos complementa todo o clima indie da série. Há uma cena em que a Alyssa está na escola observando todos em volta e podemos ver claramente o trabalho dos figurinos com tons de azul, amarelo, branco e vermelho. Os movimentos da câmera também é algo que chama atenção, já que por se tratar de uma série de terror-comédia, a câmera é muito utilizada para trazer suspense na hora certa com um trabalho bom de edição. Porém, quando se trata de personagens a série perde um pouco.

James é um garoto que se considera psicopata e já matou vários animais, o seu próximo plano é matar um ser humano. Alex Lawther é um ótimo ator que trabalhou bem ao interpretar o jovem Alan Turing em O Jogo da Imitação e também trabalha bem em The End of the F***ing World, mas incomoda o esquecimento sobre ele se considerar um piscopata. No decorrer da série é algo esquecido e que poderia ser mais explorado.

Outro ponto, é a Alyssa. A personagem é uma garota extremamente raivosa e esse comportamento é justificável para ela, mas não para nós. Talvez tenha sido uma opção em interpretar a personagem daquele modo – irritante – e nesse caso Jessica Barden cumpre bem seu papel, mas o maior problema é não conseguirmos nos conectar com ela. Para quem assiste, em algum ponto, a série torna-se cansativa exclusivamente por conta da Alyssa.

Embora tenha defeitos, The End of the F***ing World é um ótimo passatempo. São 8 episódios, cada um com duração de 20 minutos muito bem trabalhados e construídos. James e Alyssa escolhem ir contra o mundo para descobrir as suas identidades e para descobrir quais são basta você assistir.

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Lorena Gonçalves

Lorena Gonçalves

18 anos. Paulista, feminista, nerd, corinthiana, cruzeirense, torcedora do New England Patriots e ex-CLEO. Escreve, lê e adora dar palpite em tudo.