O Tempo de Tomás (2017) – As Armadilhas do Tempo
28/05/2017
Eduardo Kacic (60 artigos)
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O Tempo de Tomás (2017) – As Armadilhas do Tempo

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Há alguns meses, publiquei aqui mesmo no site Humanoides (uma vitrine já conhecida para a divulgação do cinema independente brasileiro), a crítica do curta anterior da jovem cineasta Jackeline Weston, filha do também cineasta e produtor Absair Weston, da produtora Weston Filmes, também conhecida como Seven Moving Pictures. O curta era o delicado Kouka, onde Jackeline usou suas nuances estéticas para contar uma relevante parábola sobre a relação homem/natureza.

Neste O Tempo de Tomás (Brasil, 2017), a diretora continua mostrando excelente timing e uma delicadeza ímpar, ainda que desta vez, Jackeline deixe de lado o lirismo, abordando uma história de maior apelo comercial, e concepção bem mais comum ao grande público.

No curta, o jovem Marcelo Dias interpreta o personagem-título, um garoto que durante uma brincadeira, acaba envolvendo-se em um acidente. No hospital, Tomás acorda um tempo depois, e parece querer colocar as brincadeiras em dia. No entanto, as pessoas ao redor do garoto não parecem querer que Tomás se envolva demais em suas brincadeiras, por motivos que nem o próprio Tomás tem ideia do que sejam.

Utilizando nosso velho amigo (e inimigo), o Tempo, como um elemento metafórico, O Tempo de Tomás transcorre com uma estrutura bastante usual, valorizada pelas ótimas fotografia e direção de arte à cargo do próprio Absair Weston. O roteiro de Jackeline, apesar de sua simplicidade, cumpre seu papel, e nem o fato de sabermos o “plot twist” da produção bem antes da conclusão do curta, o mesmo ainda assim funciona, graças à edição esperta de Matheus Leandro, e da direção sempre eficaz de Jackeline, que mais uma vez, mostra-se uma cineasta de promissor talento e sensibilidade cada vez mais latente. Confesso que os minutos finais do curta me tocaram bastante, e encerram a obra com a dose certa de delicadeza e amargura, exatamente como o efeito da passagem do tempo em nossas vidas.

Mais um trabalho de excelente nível de Jackeline, Absair e da Weston Filmes, O Tempo de Tomás ratifica o caminho certeiro da carreira desta jovem diretora, que mostra-se cada vez mais madura e pronta para atacar desafios maiores. Talvez não tão maiores quanto o próprio tempo, este implacável espaço entre começos e finais de tantas histórias, que assim como a de Tomás, transitam entre suas intransponíveis barreiras, e emocionam quando chegam à constatação de que o tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor, ainda que este tesouro seja inconsumível.

O Tempo de Tomás não tem previsão de lançamento junto ao público, mas deve ser lançado em festivais nos próximos meses.

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Nota
3.5 de 5
No Geral

Mais um trabalho de excelente nível de Jackeline, Absair e da Weston Filmes, O Tempo de Tomás ratifica o caminho certeiro da carreira desta jovem diretora, que mostra-se cada vez mais madura e pronta para atacar desafios maiores.

3.5

Regular
3.5 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.