Mad Max: Estrada da Fúria (2015) – Uma injeção de adrenalina
10/01/2017
Rafael Mendonça (15 artigos)
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Mad Max: Estrada da Fúria (2015) – Uma injeção de adrenalina

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Sendo influenciado por diretores de vanguarda como Buster Keaton de ”A General” (1926), George Miller (trilogia Mad Max) nos traz uma obra que sintetiza o já fadado debate entre ”filme pipoca versus filme arte”.

Num longa de pirofagias extremas e subtextos profundos, o diretor que um dia nos entregou ”Happy Feat – O Pinguim”, agora nos proporciona uma aula de como conduzir uma obra cinematográfica.

Diante de um mundo milimetricamente pensado, exposto à telas com uma cenografia (roupas e ambientação) de encher os olhos, somos jogados numa história simplista mas funcional: Num mundo pós apocalíptico o que resta é a sobrevivência. E eis que Max (Tom Hardy) se encontra no meio de um confronto iniciado pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), da qual enfrenta o ditador Immortan Joe para tentar salvar um grupo de garotas.

Com influência de uma câmera centralizada que anos atras enquadraria um trem para se fazer uma piada (parágrafo 2), George Miller décadas depois à usa para nos conduzir à uma injeção frenética de ação e adrenalina, da qual nunca perde o ritmo.


Os cortes são coesos, nunca apresentando brutalidade (na eficácia) apesar do universo apresentado. Para uma melhor digestão das cenas, o diretor nos propõe técnicas como por exemplo a alternância entre sons diegéticos (vindo do próprio universo do filme, dos quais os personagens escutam) e sons não diegéticos (sons não ‘criados’ pelo próprio universo do filme, como uma trilha sonora). Sendo assim, por mais mínimo que o detalhe seja, três batidas num caminhão empoeirado ou três socos num brutamonte se tornam artifícios bem pensados para fazer com que o telespectador consiga se imergir na situação.

Com uma opção narrativa que pode abranger diferentes públicos, é de quem assiste a escolha de enxergar se o filme é um emaranhado bem dirigido de um filme de ação, ou possui também questões sociais em debate. Não importa, ”Mad Max: Fury Road” é o álcool e água, finalmente misturados.


Com diversas referências aos mais nostálgicos, o novo filme de Miller esbanja uma fotografia viva, outrora morta, remixes certeiros, e todas as outras características que fazem um filme de modo irretocável.

Em soma, alcança, ironicamente, o posto de um filme quase mudo (o que rege a história são ações e não diálogos [Cinema – a imagem em ação]) mesmo com muito ‘barulho’ sendo feito.

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comentários

Nota
5 de 5
No Geral

Sem se entregar à tecnologias computadorizadas que fariam o trabalho muito mais simplório e rápido, ''Mad Max'' nos entrega uma verdadeira experiência orgânica do que é um mundo beirando o caos social.

5

Excelente
5 de 5
Rafael Mendonça

Rafael Mendonça