Always Shine (2016) – Thriller com Ecos de David Lynch
20/12/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Always Shine (2016) – Thriller com Ecos de David Lynch

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Exibido com destaque no Tribeca Film Festival 2016, o thriller independente Always Shine (EUA, 2016) carrega uma profunda carga dramática e pungente tensão psicológica, durante seus breves 80 minutos de duração. Infelizmente, a produção demora a ganhar ritmo, e após um excelente resultado alcançado na metade do filme, volta a perder força em seus minutos finais.

Dirigido por Sophia Takal (do drama indie Green, 2011), Always Shine traz as belas Mackenzie Davis (do comentado episódio San Junipero, da terceira temporada da série Black Mirror), e Caitlin FitzGerald (da série de sucesso Masters of Sex), nos papéis de Anna e Beth, respectivamente, duas aspirantes a atriz que lutam para conseguir um lugar na indústria do cinema. Amigas de longa data, mas há muito tempo sem se encontrar, as duas decidem passar um final de semana na casa de campo da tia de Anna, para colocar o papo em dia e relembrar a amizade que esfriou com o tempo. Entretanto, aos poucos a amizade vai dando lugar à um incômodo sentimento de inveja e competição, que colocará um divisor de águas na vida das duas amigas.

Escrito por Lawrence Michael Levine (das produções indie Gabi on the Roof in July e Wild Canaries), e que aqui interpreta um pequeno papel, o roteiro de Always Shine é intrigante, mas demora a engatar. Os primeiros vinte minutos do filme são quase insuportáveis, com um excesso de falatório arthouse pretensioso que não leva à lugar nenhum. Aos poucos, no entanto, a produção ganha corpo, graças a uma correção de rota do roteiro, que passa a priorizar o suspense, e à direção segura de Sophia Takal, que extrai o que há de melhor em sua estonteante dupla de protagonistas.

Aliás, são elas as donas absolutas do filme, esbanjando beleza e talento, especialmente a sensação do momento Mackenzie Davis, que roubou o coração de todos após sua participação no genial episódio San Junipero, integrante da terceira temporada da série de ficção-científica e suspense Black Mirror. Davis estará também no vindouro e aguardado Blade Runner 2049, ao lado de Ryan Gosling e Harrison Ford.

Contudo, nem mesmo a ótima química de Davis e FitzGerald é capaz de segurar o estranho rumo que a produção toma em seu terço final, onde apesar de continuar priorizando o suspense com um bom clima macabro, acaba se perdendo ao tentar borrar a linha entre o imaginário e a realidade. Tal escolha por parte de Takal e Levine até se justifica, já que o subtexto envolvendo a carreira das protagonistas como atrizes, ganha ares metalinguísticos e dá ao filme um ar semelhante ao das enigmáticas produções dirigidas pelo mestre David Lynch, especialmente o indecifrável Cidade dos Sonhos (Mulholland Dr., 2001), que também trazia duas fortes protagonistas femininas. Entretanto o tiro acaba saindo pela culatra, e ao tentar desesperadamente ser cult, Always Shine perde a chance de ser um thriller acima da média, e acaba sendo apenas um correto exemplar do gênero.

Independente do resultado apenas regular da produção, Always Shine vale uma espiada, seja pelo bom suspense no miolo da produção, ou especialmente pela sua maravilhosa dupla de protagonistas, que encanta por sua beleza e talento, e que carrega o filme inteiro nas costas.

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Nota
2.5 de 5
No Geral

Independente do resultado apenas regular da produção, Always Shine vale uma espiada, seja pelo bom suspense no miolo da produção, ou especialmente pela sua maravilhosa dupla de protagonistas.

2.5

Justo
2.5 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.