Shelley (2016) – Muito Suspense Para Pouca Recompensa
19/08/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Shelley (2016) – Muito Suspense Para Pouca Recompensa

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Crítica: Shelley (2016)

O thriller Shelley (Dinamarca, 2016) tem tudo o que um bom suspense precisa para funcionar: Clima pesado e soturno, elenco bem acima da média e uma premissa forte e agoniante. Entretanto, quando chega a hora da produção partir para os finalmentes, ela simplesmente… Acaba.

Com ecos do clássico O Bebê de Rosemary (1968), do mestre Roman Polanski, Shelley mostra a chegada de Elena (Cosmina Stratan, de Além das Montanhas) uma jovem romena, à casa do casal dinamarquês formado por Louise (Ellen Dorrit Petersen, de Blind) e Kasper (Peter Christoffersen, de Departamento Q: O Ausente), onde Elena foi contratada para trabalhar como empregada e ajudante geral, já que Louise tem a saúde debilitada e não pode fazer muito esforço. À princípio, Elena estranha um pouco a situação, já que o casal vive em uma propriedade afastada de tudo e todos, e sem o uso de eletricidade.

Com o tempo, no entanto, a relação entre Elena e o casal, principalmente com Louise, transforma-se em amizade. Uma amizade tão forte, que Elena aceita ser mãe de aluguel e gerar o filho de Louise, através de uma inseminação artificial, dada a saúde frágil de sua patroa. Contudo, à partir do momento em que Elena passa a carregar o feto em sua barriga, as coisas começam a ficar terrivelmente estranhas, e a relação entre a jovem e o casal deteriora rapidamente.


Lento e carregado, Shelley tem um nível de suspense bem elevado. A aterrorizante gestação de Elena rende ótimos momentos para a produção, alguns inclusive, deixam o espectador na ponta da cadeira. A fotografia escura e o elenco afiado elevam o nível da produção, que até trabalha bem sua narrativa durante dois terços de sua duração. Infelizmente, o filme escrito e dirigido pelo paquistanês Ali Abbasi, estreante em longas, decepciona em sua conclusão, que apesar de imprevisível, não se aprofunda no que realmente está ocorrendo e nem mesmo procura linkar a solução final com tudo o que foi visto antes. Tudo bem deixar algo para a interpretação do público, mas deixá-lo totalmente à deriva, também não funciona.

Resumindo, Shelley é um suspense de boa execução e clima caprichado. Mas que perde a chance de cravar seu nome nos exemplares mais relevantes do gênero devido à sua conclusão que realmente deixa muito a desejar. O nome do diretor, no entanto, entrou no meu radar. Vamos ver o que ele apresenta na próxima.

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comentários

Nota
2.5 de 5
No Geral

Resumindo, Shelley é um suspense de boa execução e clima caprichado. Mas que perde a chance de cravar seu nome nos exemplares mais relevantes do gênero.

2.5

Justo
2.5 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.

  • Rafael Borges

    Excelente crítica meu amigo Edu.
    A atmosfera do filme é bem construída, o roteiro é intrigante, uma pena o desfecho ser tão fraco, mas no geral, vale apena ser visto.
    Achei boa as atuações do elenco.
    Abraço.

    • Eduardo Kacic

      Olá meu amigo!
      Acho que nossas opiniões sobre o filme vão de encontro uma com a outra, realmente.
      Uma conclusão melhor alçaria bastante o patamar do filme, mas, infelizmente não aconteceu.

      Obrigado pela visita e comentários. Volte sempre!