In The Deep (2016) – Tensão Extrema no Fundo do Mar
10/08/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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In The Deep (2016) – Tensão Extrema no Fundo do Mar

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Me lembro no final dos anos 90, quando houve uma tendência onde estúdios concorrentes costumavam lançar filmes com premissa semelhante, para que suas produções de enfrentassem nas bilheterias. Foi assim com vulcões, em 1997, onde a Fox lançou Volcano: A Fúria, com Tommy Lee Jones, e a Universal lançou Inferno de Dante, protagonizado por Pierce Brosnan. O mesmo aconteceu em 98, com asteróides em rota de colisão com a Terra, onde a Disney lançou Armageddom, com Bruce Willis e Ben Affleck, e a Paramount lançou Impacto Profundo, estrelado por Morgan Freeman e Robert Duvall.

Agora, neste segundo semestre de 2016, duas novas produções de premissa bem parecida chegam ao público, brincando com o medo do público com relação aos tubarões. A primeira (e que ganhou todos os holofotes) é Águas Rasas (The Shallows), protagonizada pela bela Blake Lively. E a segunda é esta In The Deep (EUA, 2016), produção que chega com bem menos alarde do que a citada acima, mas que entretanto, duvido que seu resultado final fique devendo algo ao filme estrelado por Lively. Afinal, In The Deep é um dos filmes mais tensos a que tive acesso nos últimos tempos.


Escrito e dirigido pelo promissor cineasta britânico Johannes Roberts (do interessante thriller Do Outro Lado da Porta), In The Deep também é protagonizado por uma mulher. Ou melhor, neste caso, por duas mulheres. Lisa (Mandy Moore, de Um Amor Para Recordar) e Kate (Claire Holt, da série The Vampire Diaries) são irmãs, curtindo umas férias nas paradisíacas praias mexicanas. Após conhecerem uma dupla de rapazes da região, Lisa e Kate são convencidas pelos rapazes a mergulhar em meio aos tubarões, protegidas, é claro, por uma gaiola de ferro, no que seria o programa favorito dos turistas que viajam ao local. As irmãs então embarcam no decadente barco de um amigo dos rapazes e, uma vez em alto mar, são imersas na água com seus tubos de oxigênio, e protegidas pelas grades da gaiola. Mas é claro que algo dá muito errado na descida das duas, e as irmãs acabam sozinhas, no fundo mar. Agora, Kate e Lisa terão que travar uma agoniante e solitária batalha pela sobrevivência.

Mesmo com a premissa rasteira, o diretor Roberts entrega um brilhante exercício de tensão. O roteiro do próprio Roberts (em parceria com Ernest Riera, seu colaborador habitual), é direto e até certo ponto, engenhoso. A grande sacada dos realizadores é situar a narrativa, à partir do momento em que as protagonistas submergem, totalmente embaixo do mar. Tudo o que o público sabe sobre o que pode estar ocorrendo na superfície, é o que as protagonistas sabem, o que coloca público e protagonistas em cumplicidade, em um cenário aterrador, onde o mínimo erro por parte de qualquer uma das duas irmãs, pode significar a morte de ambas.

A ambientação e os efeitos-visuais são excelentes, assim como o ritmo da produção, que não deixa o espectador descansar nem por um segundo sequer. É claro que a narrativa tem defeitos, em que uma certa dose de tolerância é exigida do espectador, com relação à certas sequências onde falta um pouco de verossimilhança. No entanto, nos vinte minutos finais de sua produção, Roberts eleva o nível de tensão e agonia ao extremo, entregando uma conclusão esperta e transparente, que com certeza não desaponta.

Na linha do também agoniante Mar Aberto (Open Water, 2003), In The Deep é uma bem-vinda surpresa do gênero. Um thriller ligeiro, direto e assustador, que definitivamente coloca o nome de seu diretor e roteirista no mapa. Com relação à batalha entre este exemplar e o citado Águas Rasas, tenho certeza de que quem ganha é o público.

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comentários

Nota
3.5 de 5
No Geral

In The Deep é uma bem-vinda surpresa do gênero. Um thriller ligeiro, direto e assustador.

3.5

Regular
3.5 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.