Clown (2014) – Um Horror esperto e de bastidores polêmicos
11/07/2016
Eduardo Kacic (60 artigos)
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Clown (2014) – Um Horror esperto e de bastidores polêmicos

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Crítica: CLOWN (2014)

Muita gente aqui no Brasil já conhece este Clown (EUA, 2014), produção do gênero Horror que pintou por aqui no país através dos meios digitais “duvidosos” ainda em 2014. Curiosamente, o próprio público americano só veio a finalmente assistir ao filme no início de Junho/2016, graças a um lançamento tardio em VOD e em alguns poucos cinemas do país, neste que seria finalmente o capítulo final de uma produção turbulenta e curiosa. E não, o filme não foi “escondido” ou atrasado por ser ruim. Pelo contrário, Clown é um terror esperto e de natureza original, que merecia melhor sorte do que teve até agora.

O mesmo não pode ser dito de seu diretor, Jon Watts, que literalmente tirou a sorte grande. Watts lançou seu primeiro filme (que na verdade seria seu segundo), o pequeno thriller A Viatura, com Kevin Bacon, no Festival de Sundance do ano passado. E apesar do filme não ser uma unanimidade, foi suficiente para agradar aos executivos dos Estúdios Marvel, que recrutaram o diretor para dirigir a aguardada primeira produção do Homem-Aranha para o estúdio, Spider-Man: Homecoming, que volta a trazer o carismático Tom Holland como o herói aracnídeo, que deu as caras em Capitão América: Guerra Civil. Este enorme salto na carreira do diretor, fez com que finalmente seu primeiro filme, este Clown, fosse retirado da poeira e trazido para a luz, numa maneira de atrair mais público para a produção, que sofre de um problema grave em sua execução: Apresentar mortes de crianças, o que nunca é bom para um filme do gênero.

Tal agravante complica muito o resultado final do filme, principalmente porque Clown sofre de um conflito de tons em sua narrativa. A produção começa bem leve, mostrando o esforçado pai de família Kent (Andy Powers, de Em Seu Lugar), um corretor que encontra uma velha-roupa de palhaço em uma das casas que está colocando para alugar, e acaba utilizando-a para salvar o aniversário do filho, cujo palhaço da festa havia cancelado a presença em cima da hora. É claro que Kent vira um herói aos olhos do garoto e de sua amada esposa, Meg (Laura Allen, de O Sorriso de Mona Lisa), e tudo parece ficar bem. No entanto, os problemas começam quando Kent decide tirar o traje de palhaço, e simplesmente e inexplicavelmente não consegue, dando início à uma série de bizarros eventos que culminam em uma velha e assustadora maldição.

Também escrito por Watts, em parceria com Christopher Ford (Frank e o Robô), Clown sofre a alternância de tom de maneira muito brusca, o que causa um desnível narrativo no filme. O já citado tom leve do início da produção dá lugar à uma história pesada, que se torna ainda mais complicada com a decisão de matar uma criança na metade do filme. O choque surpreende o espectador, mas ao mesmo tempo derruba uma penumbra sobre o filme, que perde o trunfo do humor involuntário e caminha à passos largos pelo caminho repleto de clichês do gênero. Nem a presença sempre tresloucada do bom e esquisito Peter Stormare (Fargo, O Grande Lebowski) consegue resgatar a produção da previsibilidade. O filme, ao menos, mantêm-se fiel ao Horror, e os efeitos-visuais em torno do palhaço maligno são interessantes e bem-executados, assim como a mitologia em torno da transformação experimentada pelo protagonista.

Supostamente produzida pelo Rei dos filmes de Horror duvidosos, Eli Roth (e até isso foi polêmica para o filme, já que de início Roth não queria reconhecer a obra mas acabou cedendo), Clown nem de longe merece o estranho buraco no qual foi enfiado durante dois anos desde sua finalização. É um Horror de qualidade e que realmente evidencia um certo talento do diretor Watts, que talvez tenha a pegada agridoce que a Marvel procura para seu novo Homem-Aranha. Contudo, falta fôlego para o filme se destacar entre tantas outras produções medianas do gênero.

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Nota
3 de 5
No Geral

Clown nem de longe merece o estranho buraco no qual foi enfiado durante dois anos desde sua finalização. É um Horror de qualidade e que realmente evidencia um certo talento do diretor Watts, que talvez tenha a pegada agridoce que a Marvel procura para seu novo Homem-Aranha.

3

Regular
3 de 5
Eduardo Kacic

Eduardo Kacic

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colunista do Mundo Blá, e agora é colaborador Humanoides desde criancinha. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao M1TO.