Demolidor-Diabo de Guarda: Um homem sem fé…é fácil de se destruir
06/05/2014
David MacLeod (41 artigos)
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Demolidor-Diabo de Guarda: Um homem sem fé…é fácil de se destruir

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Eu nunca dei atenção ao Kevin Smith. Aclamado por filmes como “O Balconista”, “Barrados no shopping”, “Procura-se Amy” e “Dogma”, ele sempre me pareceu aquele cara chato que fica, sei lá, traçando a árvore genealógica de Aragorn num bate papo numa mesa de bar. Tampouco dei atenção à sua carreira como escritor de quadrinhos, lendo apenas algumas histórias dele com o Arqueiro Verde (recomendáveis) e o dispensável “Batman: Cacofonia” (lixo). Sendo assim, não estava esperando muita coisa quando comprei o recém-lançado encadernado “Demolidor – Diabo da Guarda” da Salvat. E talvez por isso me surpreendi.

Matt Murdock está um caco. Depois que sua amada Karen Page saiu de sua vida, tem estado desnorteado, ainda sentindo com seus sentidos super aguçados resquícios da presença dela. E é neste ponto que a trama começa, quando acaba abandonando o confessionário de uma igreja para salvar uma garota de uns 16 anos e seu bebê, alvos de uma perseguição. Motorista e capanga devidamente nocauteados, hora de cuidar da garota… mas ela sumiu. Ok, isso acontece…

No dia seguinte, quando Matt está cuidando dá vida em seu escritório, a garota aparece. Conta a história de como apareceu grávida sendo que nunca esteve com ninguém, como os dois homens que a perseguiam assassinaram seus pais e como um anjo disse a ela em sonho que Matt Murdock a protegeria, pois ele é o Demolidor.

Um anjo revelou à ela que ele é o Demolidor.

Difícil de acreditar, claro.

Mas os sentidos super aguçados de Matt não capta nenhuma alteração na pulsação dela.

 E a criança… bem, conhece a história sobre a segunda vinda de Cristo? Pois é…

E a garota deixa a criança com Matt.

Mas logo um homem misterioso aparece, apenas para dizer que faz parte de uma organização secreta… e que o bebê na verdade é o Anticristo, convenientemente entregue às mãos de Murdock, que tem o hábito de usar um traje de demônio e sair perambulando pela noite combatendo o crime.

“O mal macula tudo que toca. Aqueles que lhe são mais caros… você os põe em risco ao acolher a abominação.”

Logo, Matt não sabe o que fazer. Não sabe em quem confiar.

Logo, aqueles que lhe são mais caros começam a sofrer.

Seria a criança um enviado de Deus ou do Demônio?

E teria ele a coragem de fazer o que deve ser feito?

Permeando a história, há referências à “Queda de Murdock”, clássico arco de histórias, e a aparição de alguns coadjuvantes de luxo, mas o mais interessante é ver como Smith guia o leitor até o final apoteótico, mantendo o mistério sobre a criança “anjo-ou-diabo” e depois mais além, quando os últimos pedaços da trama se encaixam.

Minha dica? Embarque nesta viagem proporcionada pelo Sr. Smith, um cara que deve ser um ótimo contador de histórias na mesa do bar.

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David MacLeod

David MacLeod

Apenas mais um tijolo na parede. Hater da Marvel e Amante da DC, mas as vezes se atreve ler algo da Casa das Ideais, pois o Stan Lee é o rei.