12/02/2013
Felipe (23 artigos)
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The Strokes – De The Velvet Underground ao Tecnobrega

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Eis que surge uma banda, formada por Julian Casablancas, Nikolai Fraiture, o guitarrista Nick Valensi e o baterista brasileiro Fabrizio Morretti começaram a tocar quando eram estudantes em Nova York. Mais tarde o pequeno Julian Casablancas foi mandado para o instituto Le Rosey, uma tradicional escola na Suíça  para melhora seus problemas comportamentais e alcoólicos, lá conheceu Albert Hammond Jr, formando assim o The Strokes.

O inicio das atividades musicais dos jovens ricos de Nova York, foi com o EP The Modern age lançado em 2001, EP que chamou muita a atenção e em consequência disso, acarretou uma guerra de interesses entre as gravadoras, pelos direitos da banda.

 

Is This it

O primeiro disco da banda não traz musicalmente nenhuma novidade, mais suas referências são as melhores, ao estilo rock de garagem dos anos 70, e muita influência do “Velvet Underground”, principalmente pelo vocal arrastado de Julian Casablancas, lembrando muito Lou Reed.

O primeiro álbum da banda veio como uma bomba no mundo da música, em tempos que o pop dominava praticamente sozinho as paradas musicais, descobriram que o rock tinha espaço, alguns disseram que até foi salvo pela banda, um pouco exagerado talvez? Varia muito da pessoa, mais a verdade é que há partir dele começaram a tratar bandas independentes com mais carrinho e influenciar muitas novas bandas na época, talvez não musicalmente mais acredite se gosta de bandas como Arctic Monkeys e Arcade Fire, por exemplo, tem que no mínimo respeitar o álbum da banda de Nova York.

Prova dessa importância, é que ela atingiu não só a gringa mais também o Brasil, quando o álbum completou dez anos, foi lançado aqui  um disco  cover de todas as musicas do álbum, bandas como Sabonetes, Vivendo do Ócio, o cantor Cicero, Banda Uó (nítida influencia hoje para os Strokes) participaram da homenagem a banda.

Com todos esses fatores o “Is This It” é ainda uma viagem de nostalgia musical com as melhores referências e com composições que detalham a juventude urbana de Julian Casablancas (compositor de todas as musicas do disco), trazendo clássicos indie, lembrados com carinho por fãs, como “Last Night”, “The Modern Age”, “Barely Legal” e “Alone Together” (particularmente a melhor musica do disco). Essas e outras musicas fazem o “Is This It” uns dos álbuns mais influentes e uns dos melhores da última década.

 

Room On Fire

É o segundo álbum do  Strokes alcançando até um maior valor comercial do que o disco de estréia, e junto com ele a temida maldição do segundo álbum que atingiu um pouco a banda Kaiser Chiefs e cantora Duff.

Junto com essa suposta maldição, surge a dúvida de qualquer pessoa que tenha escutado o primeiro álbum, “será o álbum tão bom quanto o primeiro?” questionamento inevitável principalmente por conta do “barulho” que o “Is This It” fez. Inevitavelmente a cabeça de qualquer banda que faz um relativo sucesso no álbum de estréia, fica um tanto que deslumbrada ou até quem sabe perdida sobre o que fazer no próximo, mais em meio a tudo isso, a banda acabou tomando a mais sensata e esperada decisão, fazer nesse segundo uma continuação do primeiro.

Por ser uma continuação do primeiro álbum com certeza vale a pena, tendo hits como “Repitila” (a melhor do disco), “The End Has No End” que viraram videoclipes, e outro destaque interessante que rendeu mais dólares a banda foi a música “What Ever Happened?”  que está no filme Maria Antonieta (2005) de Sofia Coppola.
Com a maioria das composições de Julian e três de Albert Hammond Jr o álbum é um prato cheio para fãs e uma boa continuação do impecável “Is This It”.

 

First Impressions Of Earth

O terceiro álbum foi lançado em Janeiro de 2006, no Japão foi ouro na primeira semana de lançamento e também o álbum mais baixado durante duas semanas no iTunes. Nikolai Fraiture alegou que o álbum foi “como uma descoberta científica.” Em Janeiro de 2006, a banda então fez sua segunda aparição no Saturday Night Live, cantando “Juicebox” e “You Only Live Once”.

“Tudo bem, agora com fãs estabelecidos a banda vai optar por algo diferente”, pelo menos foi com essa expectativa que coloquei o terceiro álbum para tocar, mais infelizmente não foi o que aconteceu.

O terceiro álbum não trás novidade em relação ao primeiro e o segundo, e se tornando um álbum de músicas repetidas com a incomoda sensação de ter escutado aquelas músicas em algum lugar,  não sendo de forma nenhuma um desastre musical , longe disso, mas com certeza perdeu um pouco a força da banda.

Depois do lançamento do terceiro álbum, a banda teve um longo período de hibernação segundo o próprio Julian que lançou o “Phrazes For The Young” álbum de estréia do cantor que remete muito aos anos 80 com algumas guitarras, mas acima de tudo com canções  onde o que predomina são os teclados e sintetizadores, no que me agradou muito, mostrando um certo “crescimento” do vocalista, fato que deixou ainda mais expectativa pra o próximo álbum.

 

Angles
O lançamento dividiu os fãs, já que muitos diziam que as músicas não se pareciam com os outros discos da banda foi, porém, um sucesso de crítica. É compreensível que os fãs não tenham gostado de primeira, talvez nesse período de pausa queriam que os fãs ouvissem mais “Is This It?”, “Taken For a Fool”, “Gratisfaction” e “Under Cover of Darkness” que foi a primeira música lançada, tem uma apelo aos fãs saudosistas.

“Machu Picchu” junto com “Call Me Back” são com certeza as melhores do álbum e me arrisco a dizer uma das melhores músicas dos Strokes, talvez estou sendo um pouco exagerado, mais sem dúvida foi um profundo alívio ao ouvir músicas realmente diferentes dos outros discos. Mas o que não torna o álbum excelente é a constante alteração entre altos e baixos, entre o novo e o velho Strokes são notáveis, mas depois de “Call Me Back” a vontade de ouvir novamente é inevitável , talvez  para os fãs do Strokes do primeiro álbum tenha sido necessário ouvir mais de uma vez , para realmente apreciar essa “nova cara da banda”.

Um excelente álbum que deixa no ar o que a banda mostrará no próximo, uma pequena amostra disso foi a nova música lançada em 30 de janeiro “One Way Trigger” o que me faz pensar como o baterista brasileiro Fabrizio Morretti influência a banda, se por um lado temos “Call me Back” inspirada na famosa bossa nova brasileira, do outro temos “One Way Trigger” um tecnobrega com agudos perturbadores e irreconhecíveis de Julian. Mais nem tudo é trevas com a banda em 2013, depois do lançamento da música “All The Time” é uma esperança que um álbum muito diferente está por vir, esperamos e rezamos de mãos dadas para que  a banda deixe o tecnobrega de lado.

 

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comentários

Marcadores Musica, The Strokes
Felipe

Felipe

Desde que me entendo por gente, o cinema e a música sempre foram muito na minha vida, apreciando a todas as melhores bandas do mundo e sempre um bom filme a qualquer hora não faz mal a ninguém.

  • ótima análise dos álbuns, e na lata, destacou as duas musicas que eu mais ouço: “Machu Picchu” e “Call Me Back” ….. Parabéns!!